Hoje (dia 4, quando escrevo) tive aulas com um gênio: professor Horst. Não, ele não iventou algo muito prático para o dia e, não, não passou a vida inteira estudando uma bactéria, não. Mas ele é muito, muito inteligente, muito foda. Mesmo.

Ele dá aula de um jeito rápido e explica de um jeito ligeiro: tenho certeza de que mais de metade da sala odeia o modo como ele explica as contas - isso porque ele vai rápido na explicação. Entretanto, acho que mais gente gosta dele pelo mesmo motivo que eu: o jeito como ele explica o conteúdo.

Hoje ele começou a ensinar potência e radiciação. Ele então nos explicou que 0° tem como resultado a indeterminação. Então ele nos disse (isso, é claro, ele levou vários minutos pra explicar) que existem três tipos de problemas:

- Os determinados;

- Os indeterminados; e

- Os impossíveis.

Os determinados são os problemas matemáticos que têm apenas uma solução possível. Os indeterminados são como o seguinte:

2x + 2 = 2x + 4 - 2

2x - 2x = 4 - 4

0x = 0

logo, x = 0/0, certo? Isso dá 0, ceeeerto? Errado. Ou melhor, certo. Pode dar zero, mas não só zero. Pode dar 1, por exemplo:

0x = 0

0.1 = 0

0 = 0

Pode dar 2… 3… 50… 23555… Qualquer número “cabe” ali. Portanto, é um problema com infinitas soluções. Um exemplo de expressão matemática impossível é o 6/0. Você tem 6, mas dividir por 0, é impossível.

Primeiro, uma consideração sobre a indeterminação… É fantástica! Depois que o Horst disse “Aqui então temos várias soluções!” O amigo que sentou na cadeira atrás de mim comentou assim: “Tem várias soluções mas ninguém conhece nenhuma, né?”. Ao que eu respondi: “Não, esse é o problema: todas são conhecidas e todas são verdadeiras”. Todas são verdadeiras. Isso me lembra algo…

Quanto aquela operação ser impossível, é interessante notar o seguinte: 6 divido pra n, sendo n > 1, é totalmente possível, como se você tivesse 6 balas pra dividir entre algumas pessoas. 6 dividido por 1, é 6, porque você pega o total e concentra em uma pessoa… Mas por que é impossível dividir algo por 0? Porque o zero é o nada, ou seja, consideram-se todos os numerais como propriedades de um denominador - afinal, todo número pode ser representado em fração, colocando o 1 como denominador. Se não existe um “denominador” que contenha o número, se ele não se divide pra nem uma (nenhuma) pessoa, pra zero, pra nada, ele não existe, ele cessa de ser.

E então chegamos aqui: na natureza, nada se cria, nada se perde, tudo se transforma.

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