Conteúdo A Fornalha (2)
- A Fornalha - Capítulo 2
- A Fornalha - Capítulo 3
- A Fornalha - Capítulo 4
- A Fornalha - Capítulo 5
- A Fornalha - Capítulo 6
Aquele andar. Aquele sorriso. Aquelas brincadeiras bobas. Aquela cara que o deixava com uma aparência carrancuda quando não tinha alguma cara pra fazer. Era tudo dele e Cekemp reconhecia, sempre reconhecera, os sinais de que era mais parecido com eles do que gostaria.
Preso à gosma em que tinha se transformado, Peterson refletiu sobre como ele era e como é falaciosa a grande parte das mudanças que sofremos. Realmente sofremos. As sofremos como conseqüência, não como causa. Será que existe uma mudança real - como causa de uma vontade?
Há vários exemplos, mas o frio que ele sentia (mesmo dentro de uma fornalha quentíssima) o impedia de ver as coisas com bons olhos De repente ele pensou que talvez jamais fosse sair dali. Pensou que talvez fosse passar o resto de sua morte ali, na forma de uma gosma com olhos, junto a um calor insuficiente para seu corpo bizarro, perto de conceitos flutuantes.
O reverendo amaldiçoou a inteligência. O conhecimento. A sabedoria. Não que ele fosse lá muito sábio, mas que seu senso crítico era mais apreciado por si mesmo do que muita gente era indiscutível. Ele odiou o fato de que ele gostava de analisar as coisas. A sua vida seria um eterno desespero pelo controle, pela mudança, seria uma contabilidade infinita do tempo que resta e um culpar-se infinito por todos os erros. Isso se ele estivesse vivo, é claro.
Mesmo que conseguisse sair dali, ele não sairia. Mesmo que conseguisse ter sua vida de volta, ele não a queria mais. Destrua-se tudo, acabe-se tudo de uma vez! Não tudo, ainda há o que apreciar pra quem não pensa no fim. Deixe-se os parcos prazeres para o resto.
Por que ele tinha que fazer às vezes, por uma burrada, outras pessoas sofrerem? Por que tinha que fazer as coisas de jeito tão desajeitado, errando até quando queria acertar?




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