Para alguns poucos leitores de Santa Catarina que sabem do que eu estou falando, essa introdução é desnecessária; mas pra quem não sabe eu explico. A rede de televisão afiliada à rede Globo aqui em Santa Catarina e também no Rio Grande do Sul se não me engano é a RBS TV. O programa do almoço deles é o J.A. - Jornal do Almoço. Nele há um quadro chamado “Ação J.A.”, onde a jornalista Laine Valgas (acho que esse é o nome dela) percorre cidades da Grande Florianópolis onde há reclamações de moradores.

O problema com a Ação J.A. é que não há ação, há apenas cobrança, dependência. Explico-me com o exemplo do último “episódio” que vi: a população de uma área do bairro Santa Mônica sofreu há 12 anos com uma enchente de um rio. Agora eles reclamam que há muito tempo o rio já está sujo e que a prefeitura nunca mais veio limpá-lo.

Essa situação é triste, é muito triste. Uma pessoa é capaz de compreender com esse exemplo o espírito do “Do It Yourself” punk, ou, em seu formato mais teórico, a “Ação Direta” anarquista. Por que esperar pelo governo? Elas sofrem com isso e, ao invés de fazer algo por elas, cruzam os braços como crianças e reclamam “Mamãããe, olha o governo malvaaado, eles não fazem nada pela geeeenteeeeeeee… Governo, malvado, malvado! Vem aqui agooooooraaaaa!!!!!”

As pessoas hoje em dia estão de mãos cada vez mais atadas. Elas estão divididas entre ter esperança num mundo político melhor - são incentivados pelos artistas mais populares, pelo Faustão, pelo Fernando Gabeira, etc - e entre não ter esperança num bom futuro para a política brasileira. No segundo caso, as pessoas se dividem em dois tipos: as que reclamam e as que fazem. As primeiras reclamam que o governo não faz nada, mas a própria pessoa não faz porra nenhuma e ainda diz chavões do tipo “É por isso que o Brasil não vai pra frente, etc”. Os segundos viram as costas para o governo e fazem o que é necessário para a melhoria de si e dos outros, de acordo com a sua vontade, ignorando o governo. O problema é que o Brasil não é um Estado onipresente… Mas tampouco é ausente. Dar as costas para o governo brasileiro não é tão fácil quanto parece. Da mesma forma, ficar só cobrando é uma atitude covarde da parte de quem quer alguma coisa

Obs.: Essa história de Santa Mônica que eu assisti já apareceu uma vez lá. Hoje ela reprisou porque era dia de “Cobrança Ação J.A.”, dia em que o programa foi verificar se o prometido pela prefeitura foi cumprido. A única vez que eu vi alguma coisa ser feita foi a instalação de radares em uma avenida do continente, no acesso para as pontes. Humpf…