É engraçado. Tenho 15 anos e, portanto sou jovem. Eu conversava com uma amiga de seus 20, 21 anos, e ela contava suas peripécias afetivas. O João também estava na conversa, e o assunto chegou nele e no seu último relacionamento. Conversa vai, conversa vem, ela solta uma frase linda: “Vocês nem sabem o que é o amor ainda, nossa, assim, tão beeeem longe ainda…”
Não que eu tenha ficado de alguma forma magoado com isso. Não, isso não; não sinto necessidade de me defender de uma afirmação tosca como essa. Mas é engraçado como os 5 ou 6 anos de diferenças da idade dela pra minha fazem toda a diferença, não é mesmo? Ou então, mesmo que o que conte não seja a idade dela, mas sim a experiência pela qual ela passou, por que a dela é verdadeira e a nossa é falsa? Com que autoridade ela faz essa acusação absolutista e preconceituosa, que retira a validade de nossos sentimentos? Preconceituosa sim, ela não vive o que vivemos pra ter o mínimo de segurança pra dizer algo desse nível. Não faz a menor idéia disso. Ela fala, portanto, baseada na sabedoria popular e na sua visão de mundo estreita.
Toda essa comédia, no fundo, no fundo, irrita. A vida afetiva dela é um palco; ela é extremamente possessiva, ciumenta e desconfiada. Vive na corda bamba entre o orgulho e a entrega ao que ela quer. Não define suas prioridades, vive louca num dia e centrada no outro. Esnoba numa hora e em outra agarra… Isso é que é o tal do amor? Essa é a visão dela de amor? Bom, isso exclui, por exemplo, o amor não-correspondido – ele não existe, não serve?
Agora ela quer se estabilizar, se controlar. O meu lado racional julga as atitudes citadas anteriormente e grita: “liberte-se do julgo de seus medos e emoções!!!”, mas meu lado dionisíaco sabe que todo esse palco é maravilhoso! Fazer o que, não é mesmo… O pêndulo da vida encarrega-se de levá-la para o racional… O que o faz, é claro, é a consciência. Assim que ela teve um conhecimento mais acurado da situação toda ficou claro que agora outro tipo de atitude é necessária, se ela quiser atingi seus objetivos.
Mas veja como a razão é feita puramente de pontos de vista: ela sabe que tem que ser menos ciumenta, mas será que ele, no fundo, no fundo, não tem isso como um charme? Será que excluir completamente o ciúme dela (exceto em casos óbvios, é claro) seja o que ele quer? Ou melhor, será que ele acha que quer isso, quando na verdade vai sentir falta dos nervos à flor da pele dela? E outra: é ela quem deve correr atrás dele, ou o inverso? Essa é a principal dúvida dela, pelo que se pôde perceber.
E então, como fas/?
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Amigo Reverendo, boa-tarde!
Esta história de amor é muito complicada mesmo. O que, verdadeiramente amamos em outra pessoa? O que é amar?
Já postei uma posição (não minha, emprestada), de que as pessoas amam na outra o reflexo de si mesmas naquela outra.
Mas….esta definição me parece pouco precisa, até mesmo pq, em minha opinião, em determinadas questões não existem verdades incontestes.
Quanto à idade, isso pouco importa para nosso arcabouço sentimental.
Quando jovens, temos a fraca e insustentável idéia que amor é coisa para jovens; também eu passei por esta fase.
Mas, como sempre, meus conceitos mudaram com o tempo, e a leitura do “O Amor nos Tempos do Cólera”, de Gabriel Garcia Marquez, muito colaborou com isso.
Lá é descrito, de forma poética e inigualável, como o amor pode ultrapassar barreiras temporais (duas pessoas se apaixonam quando jovens, mas só têm possibilidade de viver o amor quando idosos).
Veja só: considerando sua idade (15) anos, poderia considerar-me uma velha coroca (tenho 32); aliás - coisa assustadora - poderia ser sua mãe (hehe)!
Mas não sou eu capaz de amar hoje com tanta intensidade quanto amei meu 1º amor?
Não seria eu capaz de amar a paixão própria dos adolescentes?
Meu coração não poderia bater mais ritmadamente a cada contato que tenho com ele?
Como poderia ser considerada uma velha, se interiormente me sinto tão jovem? O espelho pode ser nosso algoz, como nosso amigo; mulheres tendem a vê-lo como algoz quando o tempo passa.
O modo como sentimos a passagem do tempo é bem diferente do modo como ele efetivamente se apresenta: uma ruga aqui, outra acolá; mas por dentro continuamos feitos da mesma ‘massa’ com a qual fomos modelados (nada de barro, tá? - hehe).
Sinto o espelho não como meu inimigo, é apenas um quadro, tal qual seria o quadro de Dorian (sem aquela feitiçaria, claro! rsrs).
Sou uma pessoa passional, sempre fui, assim serei…existem coisas que não mudam, não obstante as outras estarem em constante mutação.
Outro dia disse a um amigo, que se é para me apaixonar, que seja visceral, se é para odiar, que seja para ter inimigos capitais; pois acho que emoções são como cavalos selvagens: vc pode domesticá-los, mas eles são tão mais belos livres……(suspiros).
A mulher pode rejeitar a idéia do ‘príncipe encantado’, posto que tal não existe….mas sempre queremos alguém que seja especial, que esteja ao nosso lado, com o qual possamos contar, no qual possamos apoiar nossos rostos e chorar…
Sei lá, amigo….os conceitos de sua amiga certamente serão modificados com o tempo; provavelmente ela amadurecerá e verá que existem coisas que não têm idade….
Como ver quem amamos ressonar, tocar de leve seu rosto…..contar as moedinhas (sempre sobra mês no salário) para a pizza no sábado….assistir a vídeos….
Destá que ela aprende! Se puder, indique a ela o livro, é realmente muito bom.
Abraços fraternos!
