Uma vez já disseram que eu fui insensível, por causa da seguinte cena: estávamos assistindo “Amor pra Recordar” quando, depois de um tempo conversando, vi o protagonista chorando. Dadas as circunstâncias do filme, eu perguntei se a mulher tinha morrido. Eles disseram que não, eu falei “Ah tá, pensei nisso porque ele tá chorando tanto…”. Aí eles disseram: “Mas e daí??? Ele já não tem motivo suficiente pra chorar?”. Bom, eu concordei que sim, mas apenas disse que, sei lá, isso passou pela minha cabeça. A partir daí começaram a dizer que eu era insensível. Mentira.
E depois isso só se reforçou através do contraste no meu grupo de amigos e nas minhas críticas ao romantismo - entendido como período literário. Antes das aulas de literatura desses últimos tempos, romantismo pra mim era o período filosófico. Eu o entendia de um modo - e já não gostava dele - e passei a vê-lo por outro ângulo, pior ainda. E, entre meus amigos mais próximos, há vários românticos, entre eles os mais exaltados o João e mais recentemente (e surpreendente para alguns) a Natacha.
Mas o que é algo romântico afinal? Define your word. Pra mim, romântico é simplesmente alguma coisa que se relaciona diretamente com o amor. Mas aí chegamos a um impasse: pra mim o amor romântico (do período literário) está longe de ser aquilo que eu considero como amor. Penso que o amor existe, mas está soterrado debaixo de conceitos, impulsos genéticos, etc; que não deixe que sua verdadeira natureza se mostre e se desenvolva. Por isso muitas das coisas consideradas “românticas” não me afetam, enquanto outras soam lindas pra mim.
Por exemplo, a música “Birds”, da Kate Nash. É linda, linda, romântica de um jeito muito maior do que qualquer casal de novela. E as pessoas não entendem isso. Tem tantos outros exemplos, tantos outros… E, saindo um pouco de textos, filmes, fotografias, etc, ainda existem as músicas, em que, se tratando de ritmos, faz pouca diferença pra mim. Mas já quanto às letras, faz muita diferença…
Agora um exemplo do que eu considero romântico:
- Fenchurch - começou Arthur - Eu…
- Uma caixa - disse uma voz arrastada - de licores de cereja e, sei que vão gostar disso, um disco com música de gaita de foles escocesa…
- Sim, obrigado, excelente - insistiu Arthur.
- Achei que deveria mostrar para vocês - disse a mulher do permanente - porque vieram de Londres…
Ela estava exibindo os prêmios orgulhosamente para Arthur. Ele podia ver que eram realmente uma caixa de licores de cereja e um disco de gaita de foles. Era exatamente o que eram.
- Vou deixar vocês tomarem os seus drinques em paz agora - disse ela, dando uma leve batidinha no ombro fervilhante de Arthur -, mas tinha certeza de que vocês gostariam de ver.
Os olhos de Arthur encontraram os de Fenchurch novamente e, de repente, não soube mais o que dizer. O momento tinha surgido e ido embora, mas a sintonia entre eles fora arruinada por aquela maldita mulher imbecil.
- Não se preocupe - disse Fenchurch, olhando fixamente para ele por cima do seu copo -, vamos conversar novamente. - Tomou um gole do suco. - Talvez - acrescentou ela - não tivesse funcionado tão bem se não fosse por ela. - Ela deu um sorrisinho sutil e o seu cabelo caiu novamente sobre o rosto.
Isso era realmente verdade.
Ele tinha que admitir que era realmente perfeitamente verdade.
So cute, isn’t it?





Românticos para mim são beijos de pingüim.
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