Hoje foi um dia bem corrido até. Às 9:30 algumas amigas vieram fazer trabalho de espanhol, que não terminamos. Depois, almoçamos e 1:20 fomos atrasados pra educação física. Depois, laboratório, depois youtube (hehe) e problemas com a impressora e por aí vai…

Mas, antes disso tudo, no pacato horário das 8 da manhã, lá estava eu no Elisa no dia em que não deveria estar - afinal, é dia de conselho de classe. E lá estava eu.

Há algum tempo eu já planejava fazer algo como um discurso para os professores, mas depois de muitos brainstorms com o Cachaça vi que isso não seria efetivo at all, e mudei o foco - me concentrei, pois, em duas idéias a curto prazo que podem funcionar ainda no ano que vem, com boa vontade.

Falei que o colégio deveria ter um projeto de colaboração com a wikipédia. Alunos que precisam de nota transformam artigos mínimos da nossa pobre wikipédia brasileira em artigos maiores, etc. Outra idéia é disponibilizar o material pela internet pra fazer com que não se perca mais tempo copiando matéria do quadro.

Mas não quero me focar nessas idéias. Dei o meu recado, acho que os professores gostaram, os coordenadores ficaram pensando. Uma semente plantada.

O negócio me deixou mordido mesmo quando foi a vez do terceirão falar. Valentine, a líder do Terceirão B (com quem conversei na véspera do conselho; muito legal ela) falava sobre como existe uma cultura de provas no colégio - melhor, cultura de estudar pra provas. Ou seja, na véspera da prova a pessoa vai lá e estuda - o que não é muito bom, já que se os alunos estudassem diariamente revisando a matéria do dia haveria muito mais compreensão da matéria.

Depois de muito talking, qual foi a saída? Apertar. “Vamos mandar mais deveres e cobrar. Linha de ação comum. Provas à tarde. Vamos acostumar os alunos pro terceirão, já que o ritmo é puxado”. Puta merda, como queria eu dizer que porra, você aperta nos deveres e com mais eficiência eles vão copiar os deveres. Mais antipatia vai se criar com o método e com a matéria, fazendo com que a suposta “compreensão” seja apenas um modo um pouco mais persistente de decoreba. Mais vida se rouba, mais se contribui para um sistema desgraçado que está errado desde sua raiz, antes, antes de ser errado na…

Mas isso tudo é um sonho. Afinal, o mundo gira por dinheiro, não é mesmo? Sabe o que me impressiona? Os alunos reclamam muito do professor de física. Menos agora, mas sempre reclamaram. Reclamam agora e com muito mais razão do de química. I mean, TODOS. Não no caso do de química mas quando se trata de “relacionamento” com os alunos, os segundos anos chegam muito perto da unanimidade: por favor, tire ele daí. É claro que isso não ocorre mais porque, enfim, já é fim de ano, seria pior agora que já nos “adaptamos” ao seu jeito (pra mim, péssimo) de dar aulas. Mas a questão é: não se fez nada. Nossos apelos e nossas reclamações nunca foram ouvidas por ninguém a sério. Entretanto, se nossos pais fossem lá, aí a história é outra. Humpf, o contrato é o seguinte: os pais entregam as crianças para que o colégio enfie matéria nelas e as faça passar no vestibular. É um contrato em que os pais fazem o acordo com o colégio. As crianças são a matéria-prima que o colégio tem que manusear pra transformar num produto rentável. E você não daria ouvidos para o seu produto se ele reclamasse da maneira como é produzido, ou de quem o produz. Agora, se o cliente reclama… Opa…