Escolhe o teu destino. Ama o teu destino.

A máxima de Nietzsche pode servir muito bem. É de fato uma tentadora filosofia que tentaria conciliar liberdade e a natureza imutável da realidade que se apresenta. Ou seja, você escolhe; depois não reclama, apenas vai.

Nesse post, vou procurar dizer por que no livro de filosofia discordiana que escrevi não considero que o eterno retorno esteja contido nessa sentença.

O (Novo?) Eterno Retorno: o Mertre

Em A Seminovosofia do Polipensar, eu parto de um pressuposto nietzscheano, mas também do discordiano: toda afirmação é (…) em algum sentido.

O mertre é uma das poucas atitudes que se podem tomar diante da vida; e eu a considero a melhor. Ela é um retorno; as situações às quais ela se aplica vão ser muito diferentes. Entretanto, a atitude, o movimento existencial é o mesmo, e vai continuar se repetindo. É um jogo que não vai acabar.

Escolher jogá-lo e gostar de jogá-lo. Essa é, digamos assim, uma evolução daquela primeira frase. Digamos que há uma grande diferença: enquanto aquela se defende como conceito, esta se defende como meta-conceito.

O que há ao homem: existe o homem, e em contraposição, aquilo que lhe falta*. Gostar desse jogo de sempre ir atrás do que lhe falta, sabendo que outra coisa irá lhe faltar sempre – este é o tipo de atitude que se espera do mertre. Entretanto, isso é também válido para outras áreas conceituais; o toque e repulsão é a lei que, de certa forma, regulamenta os conceitos.

A constante criação-destruição racional (e também o dionisíaco) é o contrário da edificação nietzscheana absoluta; uma vez que se cria os novos valores e escolhe-se o destino, Nietzsche esperava que essa edificação fosse mantida. Mas aí a liberdade de ser o que ele não é lhe falta; é esse tipo de sutileza que este meta-conceito incorpora.

* O livro que escrevi é um verdadeiro Frankenstein: talvez por isso seminovosofia, o seu nome fundamental, que serve como máscara lingüística para o ideal individualista que defendo. É um Frankenstein porque ali me servi da ajuda de diversos conceitos “emprestados” de filósofos e amigos para construí-lo. Esse negócio, por exemplo, de que há o homem e o que lhe falta… Eu nunca havia pensado dessa forma simples. Agradeço a Xochiquètzal por essa visão excelente.