Ontem (dia 22/03), enquanto tinha acessos de impressionismo com a minha própria genialidade ao inventar um maravilhoso jogo de cartas, estava pensando nos jogos. É interessante notar que é falsa a impressão de que as brincadeiras de que fala Bob Black, como a viagem, não têm regras. Elas têm: que a vontade dos viajantes sejam cumpridas. Se um jogo não tem regras, não há uma meta a ser atingida, não há uma condição a ser conquistada. Não há superação, não há glória. E por isso há uma tendência à moralidade anti-trapaça. Aqui se pode encontrar uma motivação divertida (porém não justifitiva) para alguma moralidade. As pessoas que estão acostumadas à trapaça, à corrupção e à artimanhas não convencionais para vencer algum jogo devem ser fracas - não, não por uma questão caracinza de ética, mas é que elas só querem saber da conquista mas não sabem que o grande prêmio, não só grandioso como útil, de toda conquista, é o caminho até ela, que fortalece e engrandece. Tinha outras coisas pra dizer sobre esse tipo de gente, mas me esqueci o que é. Há também aquele que denuncia a corrupção, mas se corrompe mui facilmente. Este aprendeu habilidosamente a mentir, para os outros ou no mínimo pra si mesmo (esta última modalide sempre acompanhada de uma boa habilidade pra criar exceções). Já aquele que realmente detesta as gambiarras das competições… Aqui temos algo, hum?

As regras servem pra isso. Regras escolhidas de forma equivocada, inconsistente, chata, ou em excesso, acabam com a graça de um jogo, mas as regras boas servem pra dizer “duvido que você chege aqui, sob estas condições”. Quem chega sob outras condições não é merecedor dos louros.

Definir uma regra boa ou uma regra ruim é questão de bom senso, ou da briga entre natureza e racionalidade. Daí depende muito. Mas e daí? Tudo depende tanto…