O mal fundamental sob o qual a nossa sociedade está sedimentada atende pelo nome de banalização. Não da vida, não da moral, não dos outros… Mas sim das promessas que fazemos.
E que fique bem claro, não estou falando de promessas religiosas. E sim de promessas, essas do dia-a-dia, compreende?
Não sei quando isso se iniciou – embora o Anticristo me dê uma pista – mas sei que hoje e há muito tempo vivemos à base de promessas. Aqui e acolá, firmamos compromissos, mais ou menos importantes, que não cumprimos. Que esquecemos. Que ignoramos. E o mais importante talvez; compromissos que assumimos, cumprimos, mas não conseguimos sustentá-los ou desistimos de fazê-lo.
Dou nome de banalização a isso porque nosso dia-a-dia está cheio dessas promessas, grandes e pequenas, que fazemos, ignorando suas reais implicações, e, com freqüência, nossas próprias limitações para realizá-las.
A isso chamam insegurança; pessoas inseguras, generalizando aqui, são pessoas infelizes. E isso cria um estranho, porém lógico, círculo vicioso. Acompanhe:
Alguém está inseguro. Diante de uma nova situação, ou para alcançar uma, busca sempre segurança, meio que como um trauma (gato escaldado tem medo de água fria…). Busca apoio. Em suas relações com os outros, procura sempre a promessa como forma de tirar as “possibilidades”, as “margens de erro” de seu caminho. Entretanto, seja pela falibilidade humana, intencional ou não, ou por força das circunstâncias, as promessas não podem ser cumpridas. Insegura e desiludida, tal pessoa busca culpados – e mesmo que não haja, eles vão aparecer na mente da pessoa. Ou seja, insegura e desiludida, ela procura por mais promessas pra que isso não se repita – quando muito não sente medo de se arriscar. E dessa forma, o número de promessas parte da realidade caótica para um simulacro absurdo (ou seja, sóóóó em sooonho tais promessas dariam certo…) criando cada vez mais insegurança e frustração.
Por isso eu sou contra a instituição da caridade e da doação como valores máximos ou mesmo positivos. A coragem, a aventura e o individualismo (a seminovosofia) deveriam ser encorajados, pois isso causa o hábito e a artimanha de enfrentar e lidar com a insegurança e a frustração. Dessa forma, diminui-se a necessidade de promessas e esse idealismo transforma-se enfim em realismo.
Isso de modo algum significa abolição de atitudes positivas que existem para com outras pessoas. Não. Significa apenas não contar com tal possibilidade. Se houver menos pessoas querendo que façam algo por elas ou que façam algo pra elas, teremos uma sociedade cada vez mais livre desse maldito círculo vicioso.
Tags: cultura, Filosofia, promessas, sociedade, Vida



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