Escrevi um extenso post elogiando a banda Billie The Vision & The Dancers, mas faltava ouvir o último álbum deles, o Where The Ocean Meets My Hand, pra que a crítica positiva ficasse completa.
Eu fiquei com medo quando li que a maioria da crítica considerava esse último trabalho inferior aos outros dois - geralmente o problema dos artistas é o segundo CD, não o terceiro, mas pensando bem eu também achei o segundo inferior ao primeiro, apesar do grande hit “A Man From Argentina”.
Baixei o álbum no torrent (já que o Last.fm não oferece esse álbum) e eu inicialmente o achei inferior aos outros trabalhos, mas depois de ouvi-lo pela segunda vez, vi que ele é superior ao segundo - mas não ao primeiro.
O Álbum começa com a faixa “My Love”, que assusta. Uma letra esquisita e normal demais. Cadê as maravilhosas letras complexas, inteligentes, ousadas, com rimas apropriadas mas não abusadas, e toda aquela pouca melodia que dava um quê todo especial à música? Sumiu, e no lugar uma música que beira o irritante!
Depois vem “Scared”. Percebe-se um esforço pra inserir uma melodia que só pode receber o título de “bem feita”, mas não de “linda”. A letra é confusa e não lembra quase nada aquelas coisas belíssimas de antes.
Apesar do refrão que beira o irritante e da frustrada tentativa de emocionar nas faixas 1 e 2, as coisas começam a melhorar em “Damaging This Apartment”. Essa música é um pouco mais emocionante, e você se anima mais quando nos primeiros versos você ouve os nomes “Lilly” e “Jessica”. Sim, sim! A história não acabou!
Isso porque a história contada em “The World According to Pablo” traz personagens muito parecidos com o primeiro CD, “I was so unpopular (…)”, e nesse CD até a terceira faixa você acha que a história acabou, mas não! A partir de agora o “Pablo” cantado “Páblôu” pelo vocalista retorna às canções e volta em grande estilo. Aliás, é nessa faixa que você se emociona na segunda estrofe:
I might live in an illusion
But I really thought we could change the world
“No, let’s play by the rules now, Pablo. [...]
Ou seja, se você, como eu, adorou cantar em “Nobel Square” o “Meet us there, at the Nobel Square, If you wanna change the world with us…”, isso é um choque. Mesmo.
Continuando, chega Beautiful Night In Oslo, e essa sim vale muito a pena. Aí estão as letras que tinham desaparecido. Agora estão falando a língua deles de novo, uma música agitada, divertida, engraçada mesmo, legal pra caramba.
Vem então “Take Me To The Boats”… Estamos agora melhorando. Letras num formato em que eles não são tão consagrados, mas mesmo assim inteligentíssimas na sua simplicidade que quer dizer muito, e é uma boa música. Não tem grandes melodias nem nada, mas é boa.
“There’s Hope For Anyone”, essa aí é ÓTIMA. Muito boa. Tropeçaram no começo mas, aos poucos, sem grande maestria mas com certa classe, estão fazendo um bom CD. Nessa letra temos, adivinha? PÁBLÔU… Agora ele está mudado e tal, enfim, é bem bonita, e a melodia é muito boa, uma séria candidata à melhor faixa do álbum. Ah, e ele cita a Nobel Square =}
Agora a principal concorrente à melhor faixa do CD, a “Overdosing With You”. Uma das melhores letras da banda, se não é a melhor acho que foi a mais bem cantada / interpretada. Uma música linda, linda, maravilhosa. E yes, muito sagaz - pra não repetir o adjetivo “inteligente”.
Mais uma séria concorrente, “So You Want Me To Bleed”, um refrão ótimo, uma letra boa. Essa música se aproxima bastante do padrão “mainstream” de música bonitinha, talvez por isso eu tenha gostado dela primeiro, antes das outras. Tanto se aproxima do modelo tradicional que as letras novamente não se parecem com Billie The Vision - exceto pela menção à Pablo Diablo.
“I Saw You On TV”, alguns apontam como a melhor do CD. Eu não acho. É uma boa música, agitada e com uma letra muito legal, novamente com aquela sagacidade admirável. Eu não sei como chamá-la; como as pessoas chamam de humor britânico coisas como Douglas Adams e Monty Pithon, eu vou chamar essa tendência de inteligência sueca. Me parece bastante apropriado. E essa faixa tem muito disso. Além de também ser bem bonita.
“I’ve Been Having Some Strange Dreams”, a pior do CD, quiçá da carreira inteira deles. Não é pelos cinco (5!) “Hallejulah” cantados, mas esse negócio de Pablo, eu sinceramente espero que acabe nesse CD, porque essa musica é praticamente uma transformação de uma versão resumida da história contada nos três CDs em sonhos do eu lírico da faixa. É chata, enfadonha, óbvia, repetitiva.
“I’m On The Road” é uma homenagem bonita à amizade com os companheiros de banda. É algo sincero, intimista, bonito, mas não uma beleza melódica, uma beleza só intelectual mesmo, perceptível mais na letra. De novo mais citações a alguns sucessos, como o “Elvis Presley” retirado de “Stay Awake”, ainda minha favorita. Uma boa homenagem, mas eu gostei mais da feita na próxima faixa, “Absolutely, Salutely”. Uma faixa divertida, alegre, que contém um “salute!” aos companheiros de banda de uma forma contagiante e muito, muito engraçada. E, veja, o refrão é coisa pra cantar com os amigos num churrasco de domingo, hein? Essa faixa faz você sorrir. Sozinho.
E a “Stick To You” deixei pra ouvir agora, enquanto escrevo o post. Deixe-me ver… Um começo prometendo coisas bonitas. Deixa eu ver a letra…
Sinceramente, ela é maravilhosa. Sabe por que? Porque foi colocada no lugar certo. No fim do CD. A mensagem final é perfeita pra encerrar a saga de Pablo, na minha opinião. Perfeita. Faixa com inteligência sueca também. Uma letra inteligente e bonita, uma melodia bem feita pra isso e colocada no lugar certo. Great.
Bom, é isso. No mais, espero que acabem com essa história de Pablo. Se eles precisam de inspiração, que criem outra história. O CD Vale muito à pena, tanto quanto os outros.




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