Parece que recentemente ficou bastante na moda alguns romances atuais transcorrerem no Afeganistão. E incrivelmente acontece a mesma coisa com filmes quase na mesma intensidade. Nesses dias mesmo eu vi um trailer de um filme no Afeganistão, com Tom Hanks. Depois vi que o Livreiro de Cabul era um dos mais vendidos…
Como todos aqui já sabem e são bastante espertos, o livro Caçador de Pipas é um dos best-sellers mais vendidos na atualidade. Boa parte da trama ocorreu no Afeganistão, mais precisamente na capital Cabul. Depois, nos Estados Unidos.
Provavelmente alguns não irão concordar comigo, mas achei a história excelente. Na época em que li o livro (3172 YOLD), fiquei impressionado com a história e de fato fiquei bastante sensibilizado em alguns trechos. O momento em que o pai vai pedir a filha do general em casamento foi formidável. E quanta sensibilidade a cena da fuga do Afeganistão se mostrou, no momento em que o soldado russo apenas liberaria os fugitivos se uma passageira tivesse uma relação sexual forçada com ele.
Momentos realmente dramáticos. Parece que é isso que faz de uma história ser chamativa, emocionante. Isso parece que complementa artisticamente o romance com o acréscimo de boas pitadas trágicas. Um romance complicado, cheio de valores e tradições e uma situação de eterno desamparo do protagonista desde o momento em que viu seu melhor amigo ser agredido sexualmente (outra tragédia).
Assisti o filme no cinema e gostei bastante. Na minha opinião, o filme foi fiel à história, com exceção de um trecho no final do livro onde a criança tenta suicídio na banheira. Não sei se seria necessário acrescentar essa cena para minimizar a tragédia que ocorrera em todo o romance. Será que seria útil mostrar isso para comprovar o silêncio do menino no final do filme? Talvez. Porque, cá entre nós, ficou um pouco estranho, pelo fato da criança ter ajudado Amir (protagonista na fase adulta, Khalid Abdalla) a fugir e depois - mesmo reconhecendo no filme que ele tinha seus traumas passados que não entrarei em detalhe aqui - a criança ter ficado por um bom tempo calada.
De resto, achei o filme excelente. Comprovou a emoção da minha modesta leitura e me agradou bastante. Novamente, a cena da fuga no Afeganistão, como também a cena do pedido de casamento por Baba (Homayoun Ershadi), já doente, me emocionou demasiado, demasiado. Falando em Baba, a atuação de Homayoun Ershadi foi excelente. Foi o personagem que mais me agradou no filme. E o diretor (Marc Forster, esse mesmo, que foi diretor de Stranger Than Fiction) também conseguiu impor ao protagonista aquilo que o autor do livro propôs, um jovem cheio de fraquezas morais e confuso diante de todos os problemas que ocorrera na sua infância. Não se pode esquecer também a sua relação de amizade com um Hazara, que aliás era seu único amigo e a enorme fidelidade e grande demonstração de amizade que Hassan (Ahmad Khan Mahmidzada) tinha com ele.
Para finalizar, gostaria de destacar a cena do filme em que Amir (Khalid Abdalla) leu a carta de Hassan. Foi espetacular (chorei nesta parte), com direito a fruta típica afegã (que me fugiu o nome) caindo na rua em Peshawar. Sensacional, demasiado sensacional.
Para quem não leu Caçador de Pipas, recomendo a leitura. Recomendo também fortemente o filme.
Grande abraço a todos.






Não sei se você notou que o filme não foi tão alardeado por lá como é feito com outros filmes. Têm dois motivos:
Nos EUA, Caçador não foi o it que foi no Brasil. Eu li na Folha que o Brasil é o paraíso desse escritor, junto com outro país vendeu-se mais aqui do que em qualquer outro lugar.
Segundo, o Marc Foster trabalhou neste filme de forma contratada, para receber o salário, assim como o novo Bond, dizem que a fim de viabilizar um pŕojeto mais pessoal dele.
Eu gostei de “Stranger…”, mas não gostei tanto da metalinguagem ao interagir os “dois mundos”. Para mim o melhor roteiro que o Mar já trabalhou foram “A Última Ceia” e “A Procura da Terra do Nunca”.
“A Passagem” é interessante, mas não me emplogou muito.
É capaz de no Brasil ter uma campanha gigantesca de marketing, é esperar para ver.
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