Terminei de ler há mais de mês já o livro Castelo de Vidro, biografia da jornalista norte-americana Jeannette Walls. Na verdade, é mais a história-da-vida-dela-até-um-certo-ponto, porque ela deve uns 40 anos ou coisa assim hoje em dia. É um best-seller, pelo que li na orelha de trás do livro, mas eu nem sabia disso. Por que eu comprei então? Porque eu tinha lido em algum lugar alguma recomendação sobre ele e esse livro ficou na minha cabeça, aí eu comprei. Na verdade, minha mãe comprou pra mim.
Definitivamente, não me arrependi. Não me arrependi mesmo. O livro é absolutamente fantásico, emocionante, extremamente bem-escrito. Como disse uma crítica que o livro exibe, vai te fazer rir e chorar e tudo o mais.
É a história da relação de Jeannette com seus pais, desde a primeira coisa que se lembra na infância (ela pegando fogo porque estava cozinhando salsichas, quando tinha 3 anos de idade) até a situação chegar ao ponto dos pais dela morarem na rua enquanto ela crescia na vida… Enfim, esse não é bem o final finaaal, então não se preocupem, não contei nada de tão especial (mesmo porque isso ela fala no começo do livro já).
Pra quem for ler o livro, recomendo prestar atenção no seguinte: veja que no começo, a visão que temos dos pais de Jeannette é bem legal. Realmente prestamos atenção às suas ideologias, compreendemos seus pontos de vista e, pra quem já for pai / mãe, quem sabe isso até entre um pouco em conflito com o que praticam com os próprios filhos - o que é um exercício interessantíssimo de auto-mindfuck, digamos assim. Nós passamos a compreender seu mundo e a, por que não, admirá-los por suas atitudes.
Mas depois, vamos lentamente fechando os olhos para toda essa luz poética quando passamos a perceber que talvez tudo isso seja mais fruto de uma vida com poucas condições de se manter e, é claro, de uma infância turbulenta em relação aos pais deles. Não que isso fique óbvio, na verdade isso fica, mas ainda assim tudo é muito bonito. O fade out que ocorre pra gente perceber os defeitos como coisas muito piores é bem gradual - a gente percebe isso do nada mesmo.
Agora, pra não perder a graça, esqueça dessa dica =P
Tags: Livro, sociedade, Vida





Interessante a dica do livro! Vou ver se alguém tem ele para emprestar…
Sua sacada sobre a visão da Jeanette com relação aos pais me fez pensar sobre o que eu pensava dos meus pais e o que penso até agora…
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Peterson Espaçoporto respondeu:
Ao longo do livro temos, por exemplo, uma certa tendência dos pais dela a não procurar muito médicos, essas coisas, porque há muito daquela coisa de “tem que se virar sozinha pra crescer” sabe? É uma filosofia inspiradora, mesmo mesmo, pelo menos é o que você pensa no início. Mas chega uma hora que você não consegue parar de se perguntar se eles não fazem isso só porque não tem dinheiro pro hospital… Enfim…
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