Conteúdo Controle do Consciente
- O controle do consciente…
- Controle do consciente… (2)
- Controle do Consciente (3)
Decidi fazer no blog uma “trilogia” controle do consciente… Tudo isso porque descobri uma coisa muito interessante no mesmo arquivo que encontrei nesse post dando uma olhada nas minhas pastas…
O olho e o cérebro são dois conspiradores, e, tal como qualquer conspiração, a ação deles se dá a portas fechadas, longe de nossa consciência. Em função de não percebermos que geramos visões positivas de nossas experiências presentes, não imaginamos que o mesmo venha a acontecer no futuro. Por causa dessa ingenuidade, acabamos hiperestimando a intensidade e a duração de nossa angústia em face das adversidades futuras, mas acabamos também minando nossos dois conspiradores. É mais fácil gerar visões positivas de ações do que inações, de uma experiência dolorosa do que uma experiência irritante; de uma situação desagradável que não podemos evitar do que uma que podemos. Ainda assim, raramente preferimos tomar uma atitude a não tomá-la, sentir dor a ficar irritado, o comprometimento à liberdade. Os processos envolvidos na geração das visões positivas são muitos: prestamos mais atenção à s informações que nos sejam favoráveis, cercamo-nos daqueles que nos fornecem essas informações e as aceitamos de forma indiscriminada. Essas tendências facilitam a explicação de experiências desagradáveis de uma forma que nos isenta e nos faz sentir melhor. No entanto, por causa desse impulso irresistÃvel de explicar tudo, acabamos estragando nossas experiências mais agradáveis, ao tentarmos sempre lhes atribuir um sentido positivo.
Postei o parágrafo todo, porque é muito bom. Mas o que vale para o segundo post da trilogia é o que está em negrito.
Por um tempo fiquei um tanto quanto fascinado com Schopenhauer, mas eu demorei até entender a fundamental mensagem dele. Ele falava sobre as vontades e tal (não, eu não li nenhum livro dele, só o “A Cura do Schopenhauer”), mas eu não entedia porque afinal as vontades, para ele, eram coisas ruins. Então entendi o que ele dizia sobre o ciclo de vontades; era só ter uma vontade, saciá-la, e ter outra, num ciclo sem fim e sem graça…
Mas então comecei a pensar… Mas por que isso é um ciclo sem graça? Digo, visto de fora por algum tipo de entidade não humana (é apenas uma suposição), o que será que ela acharia? Acharia chato, sem graça, vazio. Bom, o fato de ser vazio é uma das constatações mais “Eureka!” da filosofia, hehe… É uma premissa do existencialismo, e por aà vai, mas o que quero dizer é que deve haver algum modo de saber por que, para um simples mortal, isso é chato? Por que afinal de contas a alegria que vem quando nós temos algum desejo realizado não é capaz de fazer com que todos sejam feliizes para sempre? Bom, é claro, porque é um ciclo e blá blá blá… Mas eu vejo tantas pessoas com motivos pra ficarem tristes (nao se formos comparar a outros motivos, mas digo, elas têm lá seus motivos pra ficarem tristes…), e que no entanto não precisam descobrir que a vida é um ciclo sem sentido. Às vezes pequenas coisas (ou até grandes decepções) que fazem com que as coisas não sejam tão boas sempre… Por que então esse ciclo é chato, em vez de ser uma felicidade repetida várias vezes?
Pensei e cheguei à conclusão (conclusão é onde você parou de pensar) que os seres humanos vivem na contramão da natureza. Na natureza das coisas e até das não “coisas” (das idéias, pra ser mais claro), NADA é perfeito. E também NADA dura pra sempre. Se NADA dura pra sempre e NADA é perfeito, o que os seres humanos procuram com afinco? a PERFEIÇÃO (ué, mas não é impossÃvel?) e o que acontece com alguma coisa (boa) para que fiquem tristes? ACABA (Ué, queria o que, que durasse pra sempre?).
Então cheguei a essa conclusão. Dentro de nós alimentamos secretos planos para fazer com algo que gostamos muito não acabe, mesmo quando o fim é iminente… E queremos que tudo saia perfeito… Por isso nos decepcionamos tanto. Mas tem outra coisa…
Schoppenhauer dizia que a coisa-em-si do mundo, aquela que Kant dizia que NUNCA poderia ser encontrada (chame de Deus ou a-verdadeira-natureza-do-universo-seja-ela-qual-for), é a energia da vontade. Vontade, com V maiúsculo, e dizia que ela era uma energia irracional (impedindo-se de pensar em qualquer determinismo, ou seja, destino).
Muitos dizem que os humanos são mais animais do que eles pensam ser… Bom, acho que não é por aÃ. Acho que é um animal que usa a razão mal demais pra conquistar seus desejos animais. Acho que o ser humano não respeita o “irracionalismo” da vontade. Ele não entende que não há razão para algumas (não todas) as vontades que têm. E o que faz? Cria uma razão artificial, achando que esse é o real motivo (isso é Hume, por exemplo), mas na verdade não há motivo. Aà o que faz? Se há um motivo para ter uma vontade, há uma meta a conquistar, uma situação a alcançar ou um objeto para ter. Aà a pessoa se foca TANTO em conquistar tal objeto ou situação que se esquece de sentir. Sentir a a emoção de uma experiência, seja ela qual for. Por menor que seja, desde que seja essa a sua vontade. Por isso dá aquele vazio, aquela sensação de micro-falta-existencial-de-alguma-coisa. Sei lá, eu me sentia assim, pelo menos. De que cada coisa que eu fazia que eu realmente queria não era o suficiente. Faltava alguma coisa… Mas eu estava ali, exatamente onde eu queria estar. O que estava faltando?
Resumindo: as pessoas querem tudo perfeito e tudo pra sempre. Não sabem que nada é perfeito e nada é pra sempre. Querem, querem, querem, e se não sabem por que é uma loucura. Têm que ter um motivo e por isso, uma meta. As pessoas perseguem uma meta, by all the means necessary, e se esquecem da grande força que os move… Essa é a doença do vazio existencial. Como diria o PrincÃpia Discórdia: A vida deveria ser encarada como a arte de jogar jogos…
Bom, é isso. O que é que fica pra terceira parte da trilogia? A pergunta: será que podemos mudar esses problemas aà em cima?
Tags: consciência, imaginação, mente, razão



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