Meu amigo Lucas Índio, que de vez em quando lê o blog, pediu pra que eu fizesse um artigo sobre o cristianismo. Ele é ateu agnóstico (é, também faço dessas burradas… Mas juro que sei qual é a diferença, hehee) e, assim como eu e mais meia-meia-dúzia de gatos pingados, é um não-cristão num colégio de freiras.
Bom, agora vocês vêem em que enrascada me meti. É engraçado quando você percebe essas coisas. É nessas horas que eu admiro esses enciclopedistas. Eles reúnem todo o conhecimento – ou a maioria condensada dele – num livro. É um livro gigante? Tá certo, pode até ser… Mas não se pode dizer que eles não são fodas.
Afinal, há mais de ano que venho falando em vários posts sobre o cristianismo. Mas eu pego uma coisa de cada vez, horas! Aqui falo de um tópico, ali falo de outro… De repente me pedem pra resumir o meu pensamento e… Não dá. Não sei por onde começar, e tenho medo de esquecer algum aspecto importante. Fico completamente paralizado diante da folha branca do OpenOffice.
Então resolvi tomar vergonha-na-cara e resolver logo de uma vez essa pendenga. Quase um mês depois de ter aceito esse pedido dele, vou tentar escrever sobre o assunto. (Nota posterior: esse post ficou um lixo de tão simplório, mas eu juro que tentei =/)
Em primeiro lugar, em poucas palavras, o que é o cristianismo? Ô pergunta boba, Peterson, não precisa de poucas palavras. Uma já dá. Religião. É claro que em uma palavra dá pra arranjar várias maneiras de definir o cristianismo. Besteira, bobagem, plágio, etc. Mas acho que para fins de início é melhor não complicarmos muito… Vamos partir do básico.
O que é uma religião? Uma mitologia levada a sério. O cristianismo possui toda uma mitologia, e partes – atentem, partes – dela poderiam até ser aproveitadas muito bem, não fosse o modo como tudo ali é levado a sério. Ou seja, as pessoas realmente acham que um peixão engoliu Jonas. Elas realmente acham que houve um dilúvio. Elas ainda re-al-men-te acreditam que o homem veio do barro e a mulher da costela dele, etc.
Ora, isso traz conseqüências terríveis. Mitos têm virtudes, religiões têm leis. Isso cerceia totalmente a liberdade das pessoas. Oras, uma coisa é você ler uma história e tirar a seguinte conclusão “pois é, acho que ser bom com as pessoas é legal”. Aqui você lê e compreende o simbolismo, absorve isso e pensa sobre isso, reflete sobre isso. Isso é o que se tem como decisão moral – uma decisão consciente, feita por livre e espontânea vontade. Alguém que decide ser bom porque assim quer, assim manda sua consciência ou seu coração.
E isso é muito diferente de você ler uma história como a do dilúvio e pensar “Ah, ok, tenho que ser bom porque se não Deus me castigará”. É completamente diferente. Isso não necessariamente mostra que sem deus você não faria a mesma coisa, mas você não está sendo moral, está sendo antes um escravo. Se você simpatiza com as pessoas e não deseja causar-lhes nenhum mal, não é necessário obedecer a nenhuma lei para não lhes causar mal – é necessário apenas seguir sua consciência. Ter a necessidade de uma lei punitiva para assegurar uma atitude positiva para com outra pessoa é fraqueza de espírito.
As religiões usam-se da punição para condicionar a atitude das pessoas, isso não as torna mais morais, apenas mais escravas, mais dependentes – mais viciadas. A religião torna-se uma droga.
Esse é o tronco da árvore. Eu posso falar bastante sobre religião, mas já falei em vários outros posts, é só procurar. A categoria “Crendices Hereges”, obviamente, é onde ponho tudo relativo à religião aqui no blog. Mas não quero porque o texto tem que ser simples e direto, certo? Pois é.
A religião trata-se de dependência. Cansei de ouvir meu professor de FHCR (eufemismo para ensino religioso) falar “religião vem do latim religare” blábláblá. Realmente, é uma ligação. Uma ligação perigosa que se faz entre pessoas.
A religião cerceia a liberdade porque as deixa presas a dogmas – pressupostos inverificáveis que são verdade porque são e pronto. Um pensamento infantil, não acham? Pois é. A religião infantiliza o ser humano de diversas maneiras. Ela faz tudo parecer muito fácil e faz você acreditar que há alguém lá em cima que não só te fará feliz e te dará tudo o que quer como também punirá seus inimigos e também justificará sua existência.
A religião causa ignorância. Intolerância, ódio às diferenças. Fraqueza de espírito. Consiste numa verdadeira prisão. Causa acomodação.
Enfim, como eu disse, procurem por textos na categoria Crendices Hereges. Se eu fosse discorrer sobre cada tópico, fazendo um resumo de cada texto que já fiz sobre um assunto (eu pensei em fazer isso) o texto ficaria gigante. Foi o melhor que pude fazer para fins de resumo; o que posso fazer é recomendar. O site ceticismo.net é um excelente recurso quando se trata de um olhar crítico não (não exatamente diretamente) sobre a parte conceitual da religião mas sobre a parte “física” dela. E os livros “O Mundo Assombrado pelos Demônios”, “Deus, um delírio” e possivelmente “Deus NÃO é grande” são indicados.
Tags: cristianismo, mito, religião




A bíblia cristã esta cheia de coisas engraçadas, ler ela às vezes é mais hilário que ler os livrinhos de piada do Ary Tolledo.
[Henrique voltando à rotina :p]