Estou escrevendo da noite do dia 2, domingo, período do dia em que estive sem internet, e, portanto, só estou postando isso no dia 3, segunda.
O que eu deixei de escrever no meu último dia transcrito, foi o que aconteceu de noite: boas experiências que me deram uma ótima experiência, o que, claramente, é um FNORD.
Meu pai precisava passar na farmácia e eu estava no carro com ele. Estava chovendo e como não havia estacionamento na Leoberto Leal, ele deixou o carro na frente de uma casa, de uma garagem, ou seja, obviamente proibido. Era só por alguns minutos; ele já voltava.
Entretanto, o dono da casa encrencou. Ele não ia sair de casa, mas mesmo assim fez questão de vir até ali à frente pra dizer umas poucas e boas. Eu nem precisei sair do carro, ainda bem, já que eu sabia que estava errado. Meu pai já estava voltando pra enfrentar o cara, que parecia meio brabinho…
Não sei o que o homem disse ao meu pai, mas ele ficou bem nervoso. Reclamou que o cara não ia sair e que, portanto, não precisava falar daquele jeito. Eu não sabia o que o cara tinha dito e por isso, não levei isso em consideração… Um engano, já que o meu pai, quando nervoso, começa a xingar sem parar e tudo o mais. Cansado de ouvir, disse pra ele parar com o showzinho, porque ele não tinha a razão. Ali era proibido estacionar e ponto final.
Meu pai então disse que: 1) Ele não ia parar de falar, porque tava com vontade de falar e pronto. 2) Era só por uns minutinhos. 3) Ele tinha me deixado ali, não deixou o carro e simplesmente foi embora. 4) O cara não ia sair de casa e não havia ninguém entrando. 5) Com tanta corrupção no país, o cara ia implicar justo com ele; e 6) ele não precisava falar daquele jeito rude.
Bom, de todos os argumentos, o único que presta é o 1 e o 6, e o 1 de certa forma aluna o 6, tanto quanto aluna em parte o 1. Vejamos:
2) Não importa que era só por uns minutinhos. Foda-se. Leis são leis… Embora eu não goste muito delas, ninguém me deixa em paz de qualquer forma e se for pra não reconhecê-las de vez, o negócio é ir morar debaixo da ponte.
3) Eu não sei dirigir. Ter me deixado ali pra “explicar” não tem muito valor caso ele quisesse sair de casa ou tivesse alguém chegando – pra quem não conhece, a Leoberto Leal é a avenida principal, e a casa ficava bem em frente… Então se tivesse alguém chegando, parar no meio da avenida não dá.
4) Quem sabe não tinha alguém pra chegar?
5) Então. Com tanta corrupção no pais, o cara quis acabar com outra. Essa comparação de nada serve.
Já com a 1, não tem jeito, eu dei mancada mesmo. Tentei restringir a sua liberdade. É claro que isso de algum modo me afetava; mas isso me afetava porque eu quis. No fundo, foi só um assalto de irracionalidade. Espero ter aprendido com isso.
E quanto ao 6, o que o pai tem a ver com o jeito como o cara falou? Ele tava certo, e tem liberdade pra falar do jeito que quiser. Portanto…
Hoje à noite li bastante “Kierkegaard”, de Charles Le Blanc. Minha conclusão sobre ele já está pronta, e estou pronto para ler as outras obras dele com um bom background.
E agora, a parte mais importante, acho, desse post. A sua função principal: redimir meus amigos da função de vilão, imagem que pode ser facilmente cunhada a partir do meu último post, aquele mesmo linkado lá em cima. Mesmo que eu admita minhas falhas, eu me concentro em contar as coisas que aconteceram que me deixaram triste; mas do mesmo jeito que Nietzsche explicou, de forma quase que se desculpando, que o dionisíaco também é alegria*, eu vou explicar que nem tudo é cinzas.
Quanto à Natacha, ainda que ela tenha umas vezes me ferido bastante com as coisas que ela dizia, por exemplo, uma que eu duvido até hoje que tenha sido brincadeira (como ela só defendeu que fosse depois de resistência minha), ela tem se aproximado bastante de mim nas últimas, o que, duas ou três semanas acho… Não importa. Mas, pela primeira vez em meses, eu sinto que ela confia em mim. E se ela passou do “odeio” de brincadeira pro “amo” de verdade, essa simbologia deve indicar alguma coisa.
Quanto à Aline, ela nunca teve muita culpa de qualquer ocorrido. Insisto nisso porque é muita cara de pau culpá-la, se durante esse tempo todo foi ela quem me ouviu, fui eu quem a ouvi. Durante todo esse tempo ela tem confiado tanto em mim e eu, tanto nela? Talvez dos dois lados haja certa agonia por essa falta do que fazer, ou pelo menos por não podermos resolver tudo de uma hora pra outra, mas certamente eu não pretendo fazer com que todo aquele comentário no fotolog dela seja mentira. Eu não pretendo fazer com que aquilo que eu disse na casa dela, enquanto almoçava, seja mentira. Lembra-se, Aline? Não, eu não quero que se revele… Não falso, mas… Só… não exatamente verdadeiro. Eu não quero que isso aconteça.
E quanto ao João, apesar dos pesares, é ele quem mais me entende, afinal de contas, guerra dos sexos é guerra dos sexos. Não me entende no sentido universal, como se ele fosse o único que me entende em todos os sentidos, mas sim me entende num sentido mais único.
Mas e as coisas, como vão? Melhorando? É, possivelmente. Mas o meu medo é com o futuro… É sombrio, se mostra desfavorável pra mim, a Natacha sabe por que e duvido que não seja mesmo sombrio. O futuro se desenrola e, como a ação, ainda que completamente nonsense, é a base da liberdade do super-homem discordiano, preciso agir, preciso fazer alguma coisa… Quando tentei, o impacto foi profundo. De qualquer forma, não sei o que vai acontecer daqui pra frente, mas sei o que aconteceria se permanecesse parado, esperando que as coisas acontecessem e me levassem, como onda após onda leva o que fica na beira do mar.
Essa atitude foi necessária pra destruir a micromáquina que tomou conta de tudo. Agora ela está fraca, e tenho medo que recuando, ela volte a se fortalecer. Tomada pela ilusão, ela quem sabe não se vire contra outra pessoa? Quem sabe a máquina não passe a se alimentar de outra coisa, sem ser insegurança, ou mesmo o hábito, e passe a atormentar outra pessoa? O problema é esse: às vezes as pessoas mudam, mas as situações são as mesmas. E não quero que isso aconteça comigo tanto quanto não quero que aconteça com nenhum de nós quatro.
Só pra fazer justiça… Vocês jamais serão as piores coisas, pois além de fonte da minha mais terrível raiva ou tristeza, vocês são fonte da minha mais primorosa alegria e felicidade de todos os dias. O único problema era o desequilíbrio… Espero corrigí-lo.
Ou desistir de uma vez, caso não consiga.
Além disso, quero dizer que me amei, de verdade, sério mesmo, o convite que a Carol e a Pri me fizeram. Ainda que eu fosse o único garoto na festa, eu adoraria ter ido.
* Ele fez isso no início de um capítulo de Origem da Tragédia.
Tags: dia, Filosofia, SH-D




Ninguém comentou ainda...
Deixe seus comentários abaixo!