No meiobit teve um post esses dias sobre linux e mais uma vez houve comentários tristes do tipo “linux só vai se dar bem quando unificar tudo e etc”. Eu realmente fiquei com vontade de falar sobre isso.
Alguém lá falou e outros assinaram embaixo que Linux só vai triunfar quando não existir mais essa diversidade e se unificar, oferecendo uma experiência mais padrão para o usuário. Ora, eu sinceramente discordo totalmente disso. Não discordo do fato de que isso talvez ajudasse - discordo de que isso seja a solução e discordo totalmente, 100%, sobre a qualidade inerente de tal atitude.
O que nós temos no linux? Um sistema que pode ser do jeito que vc quiser. Se você tiver o conhecimento e a paciência necessários, pode ser qualquer coisa que você quer. Mas mesmo para um usuário normal ele pode se customizar para as suas vontades de uma maneira simples e eficiente. Quer algo bonito? Tente Gnome ou KDE. Ainda pode escolher qual é o estilo que mais lhe agrada, e dentro desse estilo ainda há n modos de customizá-lo, tanto um quanto outro. Quer algo um pouco menos bonito, mas mais leve e prático? XFCE. Quer algo bem barebones mas ainda assim bem útil? Fluxbox. Enlightenment. Quer algo beeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeem simples? Rat Poison (só pra citar mesmo, não conheço direito esse =P)
A diversidade é confusa? Ela pode ser à primeira vista, mas a questão é que culpar a diversidade é querer que o mundo linux, que é justamente sobre liberdade de escolha e customização, torne-se homogêneo, padronizado. A escolha é uma delícia.
Entretanto, há diversidades e diversidades…
Eu penso que há certas coisas que realmente vão além da diversidade e aí não apenas confundem como deixam as coisas mais complicadas.
- O número de distribuições, por exemplo. Existem centenas (quiçá milhares) de distribuições. Isso é ruim? Não, justamente porque elas particularizam as coisas pras pessoas que não tem o conhecimento e a paciência. A questão é que essas divisões vão ficando cada vez mais profundas. E profundas.. E profundas… Assim, existe uma distribuição focada em produção de mídia, aí uma focada só em produção de mídia e outra mais ou menos em produção de mídia - aí tem uma focada nisso com firefox, outra com opera, e por aí vai. Penso que, se há um objetivo em comum, diferençazinhas e ideologiazinhas deveriam ser esquecidas. Faz diferença? Faz, mas às vezes é melhor você concentrar as forças pra fazer uma coisa só, que seja focada em fazer o que se propõe bem e cada vez melhor, e as particularidades que sejam deixadas para o usuário. Assim a correção de bugs seria mais rápida e eficiente, bem como o desenvolvimento de novos aplicativos e recursos e etc.
Temos, como grande exemplo, Alinex, que é simplesmente… Ubuntu. Por que diabos existe uma distruibuição feita para a faculdade de não-sei-aonde em Portugal? Porque não unificar as distros focadas em universidades? Enfim…
- Tem que acabar a megalomania dos desktop environments. Porque desenvolver programas excelentes que dependem de zilhões de bibliotecas de gnome ou kde? Por que não acabar com coisas como libprintgnomeui ou coisa assim, que é uma biblioteca do gnome pra imprimir coisas - por que não produzir uma dessas bibliotecas que sirva para todos os desktops? Aí você diria “dã, vc vai trocar uma biblioteca por outra”. Mas o que eu digo é, será que já não há uma no xfce que lide com impressões? Por que não criar uma que substitua essas do xfce, kde, gnome, e sirva pra todos os aplicativos? Isso não tem nada a ver com GTK+, Qt, etc, tem a ver com esse funcionamento que serviria pra integrar muito mais os aplicativos e deixar o próprio sistema mais rápido e leve.
Aliás, a megalomania vai muito além num fator de que me deixa muito irritado: Compositor. O KDE4 já vem com um compositor pretensioso… O Metacity colocou suas manguinhas de fora há algum tempo… O Xfwm também já está vindo com transparência e etc. Porra, por que não pegar essas pessoas que gastam o tempo desenvolvendo isso pra colaborar com o compiz-fusion? Há gente que diz “ah mas o do xfce é leve, eu não preciso do compiz-fusion” - por que não desenvolver o compiz-fusion em módulos, camadas (como ele já é, mas dividí-lo ainda mais) pra que os efeitos possam ser escolhidos e ele fique tão leve quanto pode ser o xfwm?
Eu não sou a favor do fim das diferenças entre Qt e Gtk, por exemplo, isso eu acho ridículo. Essa diferença é desejável. Mas tem umas que só atrapalham, é um gasto desnecessário de tempo e energia.
By the way, dêem uma olhada nos meus screenshots, tirados agora há pouco:
(Pidgin e conversa com Aline. Emerald, Fusion-icon no canto direito-inferior)
(Ring Switcher, meu jeito preferido de trocar de janela no alt+tab)
(O triângulo mudando de workspace. Conversa borrada =P)
(Sem palavras)
Como vocês podem ver, o tema do meu desktop é meio “gloomy”, “dark”. O tema do emerald fui eu mesmo que fiz com engine vrunner - é fácil - e o legal dele é que com a janela ativa ele fica verde na direita, com janela inativa ele fica vermelho na esquerda. É muito massa isso. To usando também outras coisas, como paint fire on screen, annotate, animations (mal-configurado ainda), window previews, etc.
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As coisas não funcionam dessa maneira. Dizer que diversidade é uma coisa boa é dizer que o usuário tem de fazer escolhas. Quem usa o computador apenas como uma ferramenta sabe que isso é perda de tempo.
Por que o Mac OS X é tão famoso por usabilidade e experiência do usuário? Por que ele sabe integrar as coisas de maneira correta e de maneira simples pro usuário que apenas usa o computador - e nada de dizer que o Linux já fazia isso, Mac OS X vem do NeXTStep de 1994-95.
Pra dar um exemplo bem trivial: Se você quiser editar um arquivo texto no Linux, você tem as seguintes opções que já vem com um dos dois ambientes gráficos grandes: gedit e kedit (que nada mais que é uma versão “light” do kate).
Tá que em geral ele estará apenas como “Editor de Textos”, mas se você quiser rodá-lo como um Executar do Windows ou Spotlight do OS X, você deveria saber esses nomes. No Windows chama-se Notepad e no OS X chama-se TextEdit. Qual soa mais lógico pra você?
O Ubuntu vem fazendo um bom trabalho com isso, mas mesmo assim ainda está longe. E que não venham os gênios de plantão dizer que não. Eu tenho um laptop Dell que quando eu comprei eu montei pra ser 100% compatível com Linux, e é. Não precisa de um software non-free pra funcionar. No entanto não é ideal.
Vou dar o laptop pra minha noiva, e ela perguntou se eu não podia deixar Linux. Eu disse que não. Pra quer dar o transtorno? Eu sei que não vai funcionar direito, o som por exemplo que dá problemas com Flash e outras coisas. E todo mundo culpa as empresas grandes, o que é muito fácil. Restaurei o Windows Vista original do laptop. Atualizei, funciona tudo perfeito. Sem problemas algum.
O dia que eu puder dar um laptop pra outra pessoa, rodando Linux, aí Linux estará pronto. Até lá, continua um emaranhado de coisas. Eu já desisti. É muito legal, mas não é produtivo a longo prazo.
Rev. Peterson Cekemp respondeu:
“Dizer que diversidade é uma coisa boa é dizer que o usuário tem de fazer escolhas. Quem usa o computador apenas como uma ferramenta sabe que isso é perda de tempo.”
Como assim usar o computador como ferramenta? O computador é uma ferramenta (!). Se o que eu acho que você quis dizer é “msnorkutyoutube”, talvez falte mesmo ainda muito a ser feito. Mas não acho que seja homogeneizando as coisas, fazendo do mundo linux uma-coisa-só-linux que vá resolver não.
Além disso, o seu exemplo não é apenas trivial, é contraditório. Você diz que quem quiser rodar o gedit ou kedit da linha de comando tem que saber o nome. Oras, se a pessoa é tão noob e msnorkutmusicayoutube - por que ela iria querer rodar algo com executar? Iria com o mousesinho lá em cima clicar no menuzinho e tudo o mais.
Quanto a problema de drivers e compatibilidade, isso não tem nada a ver com deixar o visual e o funcionamento dele igual, tem…? heAeAHeAHeAH anyway, explica melhor aí porque não é produtivo “a longo prazo”… Não entendi essa parte.
Paulo Ruthes respondeu:
Em linhas gerais você passa mais tempo servindo ao sistema do que o sistema servindo a você.
Rev. Peterson Cekemp respondeu:
Hummm… *pensando*