Boa noite, caríssimos leitores do Orkutcídio em Massa para Adoradores de Lasagna
Hoje pela manhã, o rev. Peterson Cekemp postou neste blog falando sobre o recente caso entre Marcílio Dias e Toledo. Eu li e preparei um post para refutar as idéias equivocadas e por demais românticas de Peterson. Não vou refutar ponto a ponto as idéias, porém vou esclarecer um ponto geral, que é o que ele defende.
No fim de sua postagem, a conclusão geral é de que nos falta ética esportiva. Como todo jovem, Peterson parece acreditar em ideais egrégios, insignes. Porém, e assevero com razão, nossa sociedade é cerceada pelos fatores econômicos, e tais ideais são ofuscados por um bem comum e maior: o dinheiro. Excogitemos acerca isso: vivemos numa época onde a economia é delineada pelas informações, que foi precedida por uma sociedade onde a economia era fabril, que foi precedida pela economia mercantil. O que há em comum entre essas configurações é o dinheiro. O que as difere é a progressão de elementos com potencial econômico.
Pensemos: em momentos mais primitivos de nossa economia capitalista, o dinheiro era obtido através do comércio. Após isso, fizemos mais dinheiro surgir ex nihilo atribuindo valor à mercadoria a partir do trabalho executado sobre a matéria prima. Agora, porém, vivemos num sistema onde inclusive as informações, os boatos, a notícia vale e determina a economia.
Dentro dessa evolução, um inextricável conjunto de atividades econômicas diversas surgiu. O capitalismo engoliu, inclusive, as atividades esportivas, e todos sabemos que elas são um mercado bilionário. Quando pensamos, portanto, em times - ou em jogos, atividades que deveriam possuir a égide da ética desportiva - não devemos pensar em divertimento, mas sim em máquina geradora de lucro. A priori, tudo em nosso mundo atual é definido pela lucratividade intrínseca.
Portanto, a jogada política que foi combinar um empate, é justificável a partir do momento em que lucro é superior à ética ou sentimento esportivo, superior, inclusive, em importância para a subsistência de vidas. Estamos falando de atividades econômicas, e não de peladas entre colegas de rua. A atitude tomada pelos times é curial e consoante com nosso sistema e necessidades.
Oui, c’est vrai, a ética é uma coisa linda, mas nada pragmática.
Tags: argumentação, capitalismo, Competição, economia, Futebol, Jogo, Lógica“O lucro é o prêmio dos que se afastam com sucesso dos tipos normais de procedimento; o prejuízo é a punição dos que, por preguiça, aderem a métodos obsoletos. O indivíduo é livre para mostrar o que pode fazer de modo melhor do que os outros”. - Ludwig von Mises
photo credit: Dr. Propaganda






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Obrigado Mr. Kneeno!!!!!
Com suas palavras colabora ainda mais para o que eu tentei dizer.
O que condeno é justamente o fato de que o dinheiro adquiriu uma importância perturbadora e intrínseca, tornando-se um valor que não age como simples alternativa aos valores comuns das atividades, mas como valor que é necessário para a sobrevivência e para tudo além dela. Ou seja, é ridículo você culpar alguém morrendo de fome por “canibalismo” se ela comer carne humana (como quase aconteceu no mais recente episódio de avião perdido na terra do fogo). A pessoa tem opção? Sim. Ou ela come ou morre de fome.
Ética, ética, ética. Falo antes pela diversão do que pela ética. Falo antes pela inocência nitzschafirmativa de um jogo que deveria ser em-si um prazer do que pelas regras de conduta desse jogo. É essa a vida que perdemos em função dos supostamente “pragmáticos” resultados!!
O que você diz, aliás, eu já ataquei no post que você mesmo tentou refutar. Você parte do princípio de que um valor (o dinheiro) acabou se tornando importante na nossa sociedade, e por isso deveria ser assim. Você partiu de uma afirmação do ser com afirmação do dever ser. Hume atacou isso há várias décadas.
Enfim, agradeço pelo engrandecimento de meus argumentos…
[Reply]
Mr. Kneeno respondeu:
Ainda és deveras romântico. São idéias, as coisas que você pensa, enquanto eu trabalho com fatos e me dou bem na vida.
[Reply]
Rev. Peterson Cekemp respondeu:
Tsc tsc, antes você soubesse o que é uma vida bem sucedida. Fique com seu castelo de conformismo, robotização e negação da vida.
“Facta! Sim, facta ficta!”
Mr. Kneeno respondeu:
Logo os japoneses criam robôs caseiros, e, então, abandonaremos essa coisa toda de robotização, conformismo, etc. Eu penso que trabalho por um bem maior, um objetivo, a evolução técnica/científica/cultural da humanidade a níveis jamais vislumbrados.
Rev. Peterson Cekemp respondeu:
Em “robotização e negação da vida” o “da vida” também pertence ao robotização…
Você trabalha por um bem maior que serve pra poucos, em detrimento de muitos.
Mr. Kneeno respondeu:
Quem se esforça tem plena condição de ter o luxo pelo qual eu trabalho.
Rev. Peterson Cekemp respondeu:
Diga a isso a quem morre de fome na África antes de ter condição pra qualquer coisa.