Foi o que eu disse (ou pelo menos tentei dizer) no post Vamos falar sobre esportes. Sim, foi isso! Bom, não, não foi.

O que eu quis dizer lá foi o modo como o esporte disciplina a mente das pessoas de uma forma positiva, de uma forma individual. Não uma disciplina que requer comando e submissão, mas uma coisa própria, uma questão de valorização, auto-estima, paciência, metas pessoais e etc.

A vida é uma coisa engraçada… Veja bem, só há alguns dias é que fui ouvir uma das três palestras enviadas pelo Santaum (aliás, muito obrigado amigo!), palestras do Café Filosófico, sobre o Nietzsche. Uma eu já ouvi há meses; do Roberto Machado, falando sobre a relação entre a alegria e o trágico. O cara foi mais conciso e, apesar de repetir muito, deixou sua idéia bem clara na mente das pessoas (pelo menos na minha).

Já na segunda palestra que ouço, de uma mulher cujo nome foi meio inaudível no arquivo de áudio, foi meio difícil se ater a algum tema central - ela dava exemplos cada vez mais longínquos, de forma que quando você voltava para a raiz da discussão, não sabia mais sobre o que ela estava falando.

De qualquer forma, uma das partes mais interessantes foi quando ela comentou sobre o modo como Nietzsche encarava a competição, o antagonismo, os inimigos; “honra no amigo o inimigo”; uma citação relativamente famosa dele e que faz todo o sentido. O grande jogo da existência, as pequenas grandes batalhas do dia-a-dia não levadas a sério, mas consumidas, aproveitadas, sentidas com força, mas acima de tudo enjoyed. Eu gosto da palavra enjoyed. Pra mim há algumas palavras em inglês que querem dizer mais do que seus correlatos em português dizem. Enjoyed é uma delas. Enjoyed. Você tem que enjoy essas competições, essa sensação do furor da guerra. Esse é um tipo de energia que pode ser bem aproveitada por uma pessoa com um bom estado de espírito, que compreenda o quão mágicos são esses momentos e o quanto isso não precisa ter a ver com sentimentos absolutamente negativos - como a morte de alguém, por xemplo.

Para Nietzsche, a aniquilação, a destruição, a humilhação do adversário são marcas do ressentimento humano. Perdemos o espírito esportivo, perdemos o foco no joy, no lado lúdico de todo o jogo, de toda a disputa; e concordo muito, muito, muito com isso… Definitivamente, uma das condições básicas pra termos uma sociedade melhor é termos mais espírito esportivo. Mas isso, talvez, dependa de coisas a mais do que o costume com a prática de esportes apenas…

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