Uma das idéias mais loucas que eu já tive, embora faça certo sentido. Porra, então não é louca! Deixe-me explicar.

Há um tempo atrás eu concluí comigo mesmo que tanto as crenças (idéias em geral) quanto os bens materiais deveriam ser meios para se atingir uma meta. Mas, que meta é essa? A meta é experiência.

Não vou falar do ideal pelo ideal – a relação nossa com o mundo livre-racional já é complicada o suficiente. Apenas lembro que o material pelo material é completamente dispensável. As “coisas” são apenas coisas, focar nossa vida neles é uma atitude tola. Principalmente quando nos enganamos achando que eles nos farão mais felizes. É certo que eles podem ser úteis; entretanto, a maioria dos itens que possuímos são possuídos por puro fetichismo de mercado (esse era o nome que Karl Marx usava, não?)

Bem, não interessa. Cheguei à conclusão de que o que o estado “dionisíaco” quer de fato (tirando a vontade única e absoluta, obviamente) é a experiência. Experiência, de modo geral: o emprego satisfatório do tempo vivendo algo único e intenso, (único em qualquer sentido, intenso em qualquer sentido mais comum).

Um sorriso, um riso, uma gargalhada; uma conversa, um olhar, um beijo; um abraço, uma lágrima, duas; um choro, um desespero, um berro; um indignado, um bando de indignados, uma manifestação, uma revolução; um som, dois sons, uma música ao vivo; o silêncio, o inferno sonoro, o inferno visual, o inferno audiovisual; o paraíso em ambos, a tecnologia, uma projeção, uma ilusão, uma realidade; um microscópio, um caleidoscópio, um estetoscópio; uma brincadeira, uma briga, uma luta, uma roda de capoeira; uma magia, duas, um mesmo truque; um jogo, uma vitória, uma derrota; uma vida e uma morte; velha ou nova.

Cada local, como está intrinsecamente em um espaço (e por ser finito está delimitado por objetos obviamente materiais), possui objetos que podem ser aproveitados pela ação humana. Eles podem ser tão úteis quanto divertidos. Portanto, cada coisa pode ser usada para produzir experiências. Arbitrariamente, chamarei experiência de experientium e seu plural de experientia.

A equação da experientia pode ser expressa da seguinte forma:

Exp = MtP, onde:

Exp é experientia

M é matéria; contando todas as “coisas” de um determinado lugar, sendo M = ObjEspP² - (Arm.Objes) – (Prtf.Espex), onde Obj é objetos, Esp é espaço; (P é especificado logo abaixo), Arm é a quantidade de armários ou lugares fechados, Objes é a quantidade de objetos escondidos pelos armários ou lugares fechados. Prtf é a quantidade de portas fechadas, e Espex é o espaço com o qual a interação é impedida pela ação das portas fechadas.

t é tempo

P é a quantidade de pessoas no lugar.

Vou especificar agora: A primeira equação é diretamente sobre a experientia. Ela diz que as experiências possíveis em um lugar podem ser previstas quando se multiplica a quantidade de matéria em um lugar (matéria pra usar pra causar experiências) pelo tempo (quanto maior o tempo, maior o número de experiências possíveis) e pelo número de pessoas (que são os sujeitos agentes, provocando as experiências, multiplicando, assim, as possibilidades de um lugar).

Para determinar o número de matéria, há outra equação (assim como há duas na fórmula de Baskara). A segunda equação é descrita da seguinte maneira: multiplica-se o número de objetos em um determinado lugar pela quantidade de espaço (ou seja, todo lugar por onde a experiência pode se desenrolar, e por isso medido como m³). Depois, multiplica-se o resultado pelo número de pessoas ao quadrado (afinal de contas, eles também podem ser usados como objeto, não apenas como sujeito; e reagem ativamente. Por causa do uso como objeto, estão na equação; por causa da reação, estão ao quadrado). Diminui-se do resultado o número de armários ou qualquer lugar fechado que armazene coisas vezes o número de objetos escondidos por tais armários (a não-visibilidade ou a não-acessibilidade dos objetos os tornam inúteis para este fim dionisíaco; por tanto, os objetos devem estar visíveis e/ou acessíveis caso se saiba de sua existência no lugar). Imediatamente após isto, diminui-se também o número de portas vezes o espaço que se torna incomunicável por causa das portas (as portas abertas possibilitam que outras pessoas ou outras coisas adentrem o local e aumentem o nível de experientia no local).

Um detalhe importante é que qualquer aparelho de comunicação torna-se uma incógnita com efeitos caóticos sobre a equação. Por exemplo, a televisão não pode ser considerado só um objeto; tampouco o rádio e a internet. Quantas pessoas, afinal, estão interagindo com o ambiente? Conta o cameraman ou só o personagem do filme em ação? Conta o diretor, o roteirista? Conta os objetos em cena? Por essa razão, aparelhos de comunicação são ainda incógnitas da equação – eles fornecem experientia, porém tal experientia pode ser um tipo de antiexperientia, como veremos daqui a algum tempo (anti no sentido de antimatéria).

Exp = MtP

M = ObjEspP² - (ArmObjes) – (PrtfEspex)

A equação é apenas uma maneira de matar as saudades do tempo onde considerava o cartesianismo uma boa idéia – e não entendia como a matemática não era capaz de resolver problemas filosóficos. Doce ilusão. Um tributo a esta época de horizontes brilhantes; que embora não foram os mesmos, são mais brilhantes do que jamais poderiam ter sido no rumo cartesiano.

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