Quando chego à conclusão de que o material é apenas um meio para atingir a experientia em nossas vidas eu me equiparo de certa forma a alguém consumista.

Sim, eu já tinha percebido isso, e deveria ter comentado logo no segundo post, que é mais explicativo e não-cartesiano, mas esse é um tema especial.

Uma sociedade baseada na experientia precisaria, antes de tudo, possuir um background material pra possibilitar esse mecanismo de desmecanismo. Se não, um capitalismo levemente mais caótico seria a sociedade perfeita. Entretanto, o que eu proponho e/ou quero é uma maior liberdade de vida em oposição ao massacrante sistema de trabalho e de dinheiro; liberdade em oposição ao sistema de educação; e um novo foco no mundo das relações pessoais.

Nosso mundo está sendo consumido muito depressa pelo fogo do consumismo, capitalismo, corporativismo, etc, etc, etc. Chega a ser vergonhoso alguém de tal modo consciente caminhar novamente para um caminho de louca autodestruição que estamos vivendo. Concordo em gênero, número e degrau que isso não é plausível; para considerar o “material” algo de segundo plano é preciso primeiro entender como isso deve acontecer para que os discordianos não sejam culpados pelo agravamento do aquecimento global e adjacências (adjacências… É correto usar essa palavra aqui?)

Uma sociedade discordiana baseada na experientia deveria funcionar materialmente como uma sociedade de energia humana, acima de tudo. Uma citação de Daniel Quinn sobre as sociedades tribais e sua teoria da energia humana me fez pensar muito sobre isso. De fato, a minimização da importância dos objetos, dos produtos, dos recursos materiais em uma sociedade não implica em desperdício e uso imprudente: implica antes em um menor uso deles.

Além disso, faz-se necessária uma sociedade que se concentra na reciclagem, na reutilização e na durabilidade dos produtos. O que ocorre é o perigo que a sociedade torne-se cinzenta e padronizada, e, segundo poucas diretrizes, nossa sociedade deve fugir a isso fazendo da reciclagem e da reutilização motores para novidades: a criação aliada a tendências ecológicas é muito importante. A força da criatividade não só tem como deve ter um enorme espaço em toda atividade humana. Entretanto, é preciso lembrar que a forma não é valorizada, em um exemplo tosco, porém útil, é mais importante ir jantar com os amigos do que a roupa com a qual se vai a este jantar.

Estou com outra idéia em mente, e por isso esse post está começando a não funcionar. Qualquer dia destes, eu volto a pensar no assunto com mais clareza. Por enquanto, se alguém quiser fazer indagações irônicas e/ou pertinentes, fique bem vindo porque talvez assim estimule mais meu pensamento, ou estimule-o em uma direção recompensante.

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