Os filmes perderam a glória – se é que um dia a tiveram – por causa do capitalismo, esse monstro vulgar e nojento, que visa transformar a tudo em uma questão de “consumo”.
Os filmes tornaram-se questão de efeitos especiais e de história padrão – hoje essa história gira em torno de um final surpreendente, por isso alguns espectadores espertos apostam num fim bem previsível, uma vez que isso não é mais previsível. Cria-se, então, um bando de espectadores zumbis, que vêem o filme como mero produto; para estes, arte é um “conceito” do qual eles não têm nenhum conhecimento, mas mesmo assim crêem que certas características fazem de um filme um filme “artístico”. Para estes, trama boa é bom final, roteiro bom é falar algo original no lugar do “eu te amo”. Para estes, o diretor é irrelevante, chorar é ser bom ator.
Estes assistem a um filme como se vê televisão; de um ponto de vista, amarrados ao sofá e conscientes – eles recebem a imagem, o som, e vão cuidando para organizar seus estímulos, e geralmente pensar sobre eles – uma grande lição de como não se assiste a um filme!
Deve-se recuperar a glória de ver um filme ser o que ele e toda a forma de (boa) arte nasceram pra ser: uma porta de entrada para um novo mundo, uma nova realidade, uma nova vida. É preciso se deixar envolver pelo filme, assisti-lo sem pensar, apenas com preciosa atenção – se ele for um bom filme, chamará sua consciência a partilhar de toda a experiência e todo o sentimento no qual as situações estão mergulhadas, e levará você através da causalidade a uma cada vez mais profunda unidade com o filme; você compreende tudo sem entender nada. Assim é feito um bom filme – quando há bom espectador.
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Em Porto Alegre eu assisti com Cinthia 13 Homens e alguma coisa, e no trailer passou o lançamento do Quarteto Fantástico e o vilão lá que esqueci o nome.
Falei:
- Sabe de uma? Vamo ver esse filme aí Japa!
- Ok.
Terminou o filme, concluí que os efeitos especiais do filme eram os efeitos especiais do trailer. E o filme, como esperado, uma bosta hollywoodiana.
Viva Hitchcock, Tarantino, Kubrick e cia.
Grande abraço.
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