Existem humildades e humildades. Se você é humilde por causa de sua religião, você não é humilde, você é submisso, e quem sabe tem baixa auto-estima (adoro a oposição de opostos nessa oração, o Paulo Bonfá também). Por quê? Simples. Um dos problemas da cultura de religião é a falta de pensamento. Tudo vem pronto. Você pode até chegar a um ponto onde você se pergunta “Pois é, e Deus né, que loucura… Pois é, e pá…” e aí você começa a questionar. Mas bem como aconteceu comigo, é capaz de você largar a parte física da religião, mas manter a sua forma de agir. Mas isso, principalmente isso, o jeito como você age e pensa é que deve ser atacado, questionado, pensado! Ora, você larga a religião mas se você não ataca a idéia de humildade, você não é humilde de verdade. Se você não é capaz de largar a humildade por um momento pra pensar nela, pensar independentemente de vontades ou julgamentos, você não vai entender bem do que se trata - vai continuar agindo humildemente por “instinto”, uma coisa meio que automática, sem valor. Algumas poucas vezes, até falsa.
E qual é essa real humildade que eu falo? Eu não sei, não falo por todos. Ela é real quando ela nasce de uma decisão da pessoa, de uma decisão consciente, de um entendimento sobre a natureza da humildade. Seja lá o que ela for pra você, entenda-a: pense nela, reflita sobre ela, não vá dizendo “obrigado, imagina, você é muito melhor” só porque tua mãe te ensinou.
Vou contar o que aprendi nos últimos tempos, uma coisa que surgiu aos poucos e hoje eu entendo. As pessoas são 3D. Nós costumamos pensar nas pessoas como 2D; isso, em geral, vem de uma natureza humana que precisa ser superada que é tratar os outros como objetos. Mesmo que você tenha aprendido a considerá-los além de objetos ou de “outros”, ainda assim é muito comum dentro de você criticar uma atitude. Pensar “nossa, essa pessoa é uma idiota por fazer isso”. É fácil fazer isso. Muito fácil. E não sejamos hipócritas, ateus e agnósticos; como os religiosos já vem de fábrica com essa ferramenta da humildade (repito, é tão válido dizer que um religioso é humilde quanto dizer que um escravo é solícito) isso afeta muito mais a nós. Todos nós já construímos essas coisas nas nossas mentes, esse pensamento de “Xiiiii, esse aí é religioso, esse aí é um babaca”. Algumas vezes estamos certos; outras vezes, não, mas o que não vale é a generalização (olha que horrível, até rimou).
Mas por que digo isso? Digo porque você aprende a fechar a boca, a não criticar os outros por sua vida. Você pode criticar os outros pelo modo como eles agem em relação a outras pessoas, as atitudes que eles tomam que afetam a outras pessoas, mas você realmente precisa criticar as atitudes pessoais de tal pessoa? Eu já não me incomodo, e penso nisso muito, pelo que as outras pessoas fazem de suas vidas. Eu posso conversar, dialogar porque talvez ache que alguém precisa de ajuda em algum aspecto ou talvez precise de um toque pra melhorar em alguma coisa mas, em geral, não posso simplesmente dizer “Olha, por que você faz isso, como você é idiota!”. É difícil quebrar as correntes da mente, quebrar os vícios, os hábitos, sair do conforto mental que a sociedade nos oferece. Não significa que não temos que incentivar os outros ou que não devamos tentar, mas não é tão simples quanto parece.
Pra quem tá do lado de fora da jaula, parece fácil passar pelo leão. Mas não é. Pensem nisso. Considerem que as coisas não são tão fáceis quanto parecem - e que a pessoa pode não vivenciar a mesma coisa que você. Pra mim, isso é humildade, e eu aprendo uma lição do tipo todos os dias.
E aprendo por ser livre…
Tags: Discordianismo, humildade, liberdade, religião, sociedade, subjetivismo




Texto fodástico. Me lembrei de uma conversa nossa pelo MSN, principalmente os três últimos parágrafos.
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