Eu nem pensei direito nesse post. Foi uma idéia que tive enquanto caminhava na rua. Aliás, o título também não tem absolutamente nada a ver com o título. É que era pra ser algo como “destruindo amizades”. Aí pensei em algo que soasse mais leve, como “perdendo amizades”. Mas aí tentei “losing friendships”, e imediatamente começou a tocar “losing my religion”, excelente música da banda R.E.M., na minha mente. Ai ficou no título.

Sobre o que eu pensei? Uma “teoria de tudo” sobre a amizade. Dois posts me levam a ela: esse e esse. Eu pensei: o que é exatamente uma amizade? Sim, uma ponte que liga duas pessoas. Mas o amor também é uma ponte; talvez amizade seja, como aponta Rita Lee, amor sem sexo - ou, no mínimo, sem a “manifestação física” deste.

Mas esta ponte, como é formada? Por que uma pessoa gosta de outra e não gosta de uma terceira? Por vários motivos: estabelecemos contato por causa das idéias de alguém, por causa da aparência de alguém, por causa do dinheiro de alguém… Mas, uma vez que conhecemos melhor a pessoa, e descobrimos que o motivo pelo qual construímos uma ponte não vale mais a pena de conservá-la, simplesmente dizemos adeus lentamente e desfazemos a construção.

Então fiquei pensando: a amizade é um sentimento que começa por uma razão mas se desenvolve quando perde a razão de ser. Ou começa sem razão e continua sem razão - o que é melhor ainda, e por isso gosto de conhecer pessoas do modo mais inusitado e não-formal possível.

Porque veja, se eu conheço uma pessoa pelo o que ela pensa e fico amigo dela, com o tempo a ponte, feita de uma conexão racional e por um motivo lógica, vai sendo substituída por sentimento, por uma ligação mais essencial entre as pessoas, por uma ligação de simpatia. Se eu conheço uma pessoa e fico amigo dela por termos, digamos, interesses musicais parecidos, essa motivação pra nossa amizade é como um durex precário que prende um ao outro; é um motivo frágil, algo que não sustenta realmente uma amizade. E se a pessoa deixa de gostar da mesma coisa que eu, o que acontece? Ou vamos lentamente nos afastando por não termos mais muita coisa em comum - ou seja, se o motivo se foi, não há sentimento que mantenha a ligação - ou, quando sentimento, permanecemos, porque agora aceitamos a pessoa independente de seus gostos. Criamos uma relação que envolve confiança, respeito, admiração, carinho, ou todas elas ou nenhuma delas, ou alguma combinação delas, ou outra, como uma simples sensação de bem-estar por estar com essa pessoa.

Já quando se conhece uma pessoa de forma mais não-racional, não-lógica, acabamos criando algum elo emocional que transcende esse aspecto interesseiro das amizades convencionais, aquela do tipo “ah, essa pessoa é legal, vou apresentar vocês dois”. Aí as pessoas sabem o nome uma da outra, ficam se perguntando coisas e julgando as outras através de seus filtros, e, é claro, completando as lacunas com a imaginação para idealizar a pessoa do modo como quisermos, segundo o humor do dia. E isso não é bom; pelo menos não é melhor.

Por isso a frase da Shanitz, porque o importante de conhecer alguém é a sensação de conhecer essa pessoa.

Mas e as pontes? Amizades não atormentadas não resistem? Sim, elas talvez resistam, mas elas nunca serão tão importantes e nunca terão a mesma sensação de uma amizade difícil, sobrevivente, que supera dificuldades, que é ambígua em suas sensações. As pontes sobre os abismos precisam continuar sendo fortes; as pontes fracas são aquelas feitas sobre solo, ou com material fraco, ruim.

Atenção: idéia embrionária. Lembrem-se disto =)


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