Sobre Oscar Wilde e Nietzsche.

Oscar Wilde disse: a coerência é a virtude dos imbecis. Eu entendo o que ele quis dizer. Esse cara era bem discordiano, hum? De qualquer forma, nós, discordianos, sabemos melhor do que ninguém (exceto os próprios discordianos, o que nos leva a papos realmente interessantes de vez em sempre) que a vida o universo não tem sentido e que buscar um mindset lógico que justifique tudo na vida é chato e, claro, impreciso, imperfeito, e ruim em várias outras conseqüências. Foi isso que ele quis dizer, não?

A relação entre os discordianos e a ciência é muitas vezes conturbada. Alguns não acreditam nela; geralmente uma ala mais trascendental e oriental. Alguns dão bastante valor à ela; são de uma escola (é bizarro falar em escolas de pensamento discordianas, mas elas existem, oh se existem) mais ocidental. Eu sou daqueles que dá valor à ciência enquanto ela se manter no terreno da objetividade. Não dou muito valor pra psicologia, mas respeito a neurologia, compreendem? O terreno da subjetividade é algo que possa vir a ser explicado pela ciência, mas a distância que há entre o que nós sentimos e os hormônios que compõem os sentimentos é tamanha que, mesmo que descubramos qual a quantidade de hormônios x e as condições necessárias pra fazer alguém ficar louco de amor, isso não faria a mínima diferença. Estamos presos na nossa caixa biológica, nossa armadilha sensorial. De nós pra fora podemos classificar o mundo como o entendemos e termos segurança de que a ciência está certa - de que adianta dizer que isso tudo é uma ilusão, se não podemos escapar dela, nem provar que ela é uma ilusão*?

Justamente por essa complicadíssima falta de caminhos subjetivos pré-definidos é que temos que ter cuidado com as conseqüências. A lógica desse pensamento (revereeeeendo, releia a frase de Wilde…) é que, se não há nenhum caminho inerentemente melhor que outro em nenhum sentido absoluto, e meio = fim, então podemos definir como a melhor “crença” aquela que nos provê o maior benefício. Crer na razão é aquilo que nos traz a liberdade; todo o resto é uma combinação de variados elementos que trazem conseqüências ruins de vários tipos e tamanhos.

Só não podemos deixar essa frase de Wilde significar “Deus existe, mas o mundo é assim mesmo. Eu ajo exatamente como um ateu, eu penso exatamente como um ateu, nem vou muito a igreja. Mas Deus existe. Afinal, o mundo é louco, e a coerência é a virtude dos imbecis” - ou, pior “Depois de tudo o que vocês me disseram, depois de desmentir as supostas provas da existência de Deus, depois de me apresentarem a evolução e o neodarwinismo, ainda assim Deus existe. Afinal, a coerência é a virtude dos imbecis“. Imbecil é quem interpreta uma frase com um significado tão profundo de maneira tão rasa a ponto de justificar uma hipótese tão tola e frágil.

Esse post ficou esquisitíssimo, mas espero que tenha feito algum sentido. Quanto a Nietzsche. O que eu ia falar mesmo sobre ele? Humm… Ah, bem, ele dizendo que “todo respeito por suas ações, mas pequenas ações divergentes contam mais!”. Interessante, muito interessante.

Ou, outra: “O homem só vai se conhecer quando conhecer todas as coisas. Porque todas as coisas são os limites do homem”.

Ambas de “Aurora”.

* Há uma teoria matemática muito legal, cujo nome não me lembro, que prova por A + B que todo objeto que se diga estar em uma realidade 2, mas for acessível através desta realidade (1), então ela existe em 1, não em 2. Legal, não?

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