Eu sou individualista, e eudemonista. O eudemonismo é um adjetivo que procuro não usar, porque afinal de contas é um conceito que não domino totalmente, entretanto, gostei da definição no Wikipédia, então tomo a liberdade de me chamar assim, fica legal.
O que não significa que sou egoísta. Minha linha de pensamento individualista segue o seguinte lema, expresso através de linhas que representam meus pensamentos:
Domínio da razão sobre as emoções, certo? Certo. Dominei minhas emoções… E agora?
Que saco.
Não vou fazer isso não.
Opa! Mas espera um pouco, eu viro um escravo se eu não fizer isso…
Que saco, o que eu faço agora?
Eu procuro usar o domínio da razão pra conquistar objetivos que obedeçam aos sentimentos. Entendeu? Usar a razão pra cooperar com a emoção. É uma cooperação, no maior estilo anarco-coletivista.
Portanto, sou eudemonista porque, através do domínio das emoções, você vai ficar calmo, sereno… Tranqüilo… E vai perceber que é um saco. Aí, você vai querer mais, vai sair dessa tranqüilidade e vai passar a agir conscientemente pelo que você quer, mas quer de coração, não de mente. Entendeu?
Através do domínio das emoções, eu entendo que só o que vale a pena nessa vida é felicidade. Não o “estado de espírito” felicidade. Momentos felizes. Momentos. Segundos. Acontecimentos. Aqui e agora, o mais rápido possível, meu espírito tem fome de felicidade aqui e agora. Nada pra depois, oras!
Por isso sou eudemonista. E através da razão, isso me impede de viver igual a um animal procurando por sexo, drogas e rock’n’roll, sacou?
Mas e quanto ao individualismo? Bom, há quem diga que quando atitudes individualistas são tomadas, todo mundo se fode. Bom, é algo que eu conheço muuuuuuuuito superficialmente, a tal teoria dos jogos. Dizem que funciona com a teoria da evolução, e funciona com a nossa sociedade.
Eu penso o seguinte: se cada um parasse de se preocupar com o outro, tanto de mandar no outro, quanto de julgar o outro, quanto de tentar sempre ser melhor que o outro, no sentido de humilhar o outro, enfim… Se cada um parasse de olhar pros lados e esquecer que existe pra viver a vida em função dos outros, e cada um vivesse a sua vida, todo mundo seria mais feliz.
Só que aí vêm dizer que o individualismo prejudica a sociedade em geral. É claro que prejudica! Somos educados (na base da lavagem cerebral) a nos doar pros outros, a servir aos outros, esperando em troca boa vontade e uma imagem positiva. O altruísmo evolucionário levado ao extremo.
O problema é que quando um espertinho começa a fazer tudo por si mesmo, os bobos que estão esperando que alguém faça alguma coisa por eles, ficam na mão. Há. É aí que o sistema se prejudica.
Então como é que eu defendo o individualismo? Eu defendo é que a teoria dos jogos está certa para a teoria da evolução e para a sociedade capitalista. A sociedade capitalista reproduz exatamente uma selva, uma barbaridade total. Os humanos viraram, afinal, animais educados pra se disfarçarem de humanos. Por isso é que não dá pra ser individualista na sociedade capitalista. Uma sociedade de vícios, de podres, de espertinhos que resolveram que iriam dominar a todos, e acabaram conseguindo, criando a Máquina ©. Não dá.
Agora, você me pergunta: daria pra ser individualista na sociedade capitalista?
Bom, daria sim. Daria pra ser individualista em uma sociedade em que ninguém se preocupasse em ficar escravizando as pessoas. Individualismo não é egoísmo, caramba. Que droga. Individualismo é confiar no potencial de cada um, do indivíduo. É pensar primeiro em si, depois nos outros. Egoísmo é pensar só em si mesmo, sem chance. Não é isso.
Não é isso mesmo.
Marcado como “Quando Fui Outro”. Possível contradição.
Tags: anarquismo, individualismo, política



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