Alguns dias depois de escrever esse texto que foi publicado no Só de Solo, uma aula de inglês particularmente interessante nos informava sobre alguns adjetivos pra usar em pessoas. Um deles era “intolerant”, e dentre 9 adjetivos, tínhamos que escolher 3 que parecesse conosco. Por falta de opção melhor acabei me definindo como intolerante pelos meus ataques a determinadas idéias, e essa minha opção foi estranhamente endossada por algumas amigas.
Eu fiquei irritado com aquilo. Não que eu pense algo como “Que traidoras”, não, nada a ver, é só que fiquei incomodado por ser mal compreendido por elas. Uma vez já uma delas me disse que eu queria que todo mundo pensasse igual (e igual a mim). Eu disse que não, não era assim não, e ela disse-me que era assim sim.
Isso tudo porque uma das minhas mais conhecidas “obras” pelas pessoas que me conhecem pessoalmente é um ataque direto e inflamado a religiões, superstições e pseudociências. Me irrito e chego a debochar em casos extremos de pessoas comentando sobre espíritos, O Segredo, etc. Nada contra comentar, mas chega a dar pena de gente dividindo suas experiências com casos bizarros relacionados a espíritos, ou então dizendo como O Segredo funcionou em determinada experiência. É triste e não dá pra aguentar calado.
Além disso, o agnosticismo é a ideologia mais antiga que “me pertence”, digamos assim. Antes dele toda cultura e ideologia em mim era implantada, exceto rejeição a alguns tipos de comida. Deixei de ser cristão (logo depois da eucaristia, e não, não foi por decepção com a mesma) e me tornei agnóstico no fim da quinta série. Ou seja, só depois veio o anarquismo, mais tarde filosofia em geral, mais tarde discordianismo e a última coisa que poderia deixar uma marca maior em “colegas” seria o linux. Portanto, é natural que a minha aversão a essas mitologias mainstream seja a coisa com a qual mais tenham contato em mim.
Aí vem o turning point. Uma desqualificação ridícula, uma falácia aliás (das mais conhecidas, o Ad Hominem): “Você é intolerante”. “Não aceita a opinião dos outros”. “Não aceita as diferenças”.
Em primeiro lugar, eu gosto sim e muito das diferenças. É simplesmente ridículo dizer o contrário, logo pra mim que adoro conhecer pessoas diferentes. Entretanto, há diferenças e diferenças. Eu gosto de conhecer pessoas com gostos diferentes. Que ouvem bandas que eu desconheço. Que lêem ficções das quais nunca ouvi falar. Que vêem filmes que nunca vi. Que comem coisas que não como. Que têm jeitos diferentes de lidar com pessoas, idéias inusitadas, opiniões polêmicas. Blogs como o Sublime Sucubus, Crônicas Atípicas, Alexandre Soares Silva, blogs que absolutamente AMO ler porque me apresentam a idéias que nunca tive e que me enriquecem, que expandem minha mente.
Quando a Aline fala mal de Radiohead, quando Natacha não liga pra Beatles, eu faço o que qualquer pessoa normal faria: defendo-os (’os’ como retomando “bandas que gosto”, não apenas Radiohead e Beatles, hehe). Brinco (como TODO MUNDO faz) dizendo que nossa, eles são muito bons, como você pode não gostar deles? É uma BRINCADEIRA. Eu seria intolerante se dissesse “Oh, você não gosta de Radiohead, nunca mais quero falar com você” ou “Você acha Beatles chato, eu vou meter uma bala na tua cabeça”.
Muita gente que conheço me falou que sou um bom “psicólogo”. Eu gosto de ouvir. Por quê? Damn, saber o que as pessoas vivem, sentem, e pensam sobre tudo isso! Eu sinto coisas, vivo coisas e tenho minhas idéias sobre esssas coisas, mas cada pessoa é diferente e é sensacional ver as coisas sob uma perspectiva nova, absolutamente sensacional. Só que, ao contrário dos psicológos, que não emitem juízo, eu dou sim pitacos e digo o que penso, na minha visão das coisas, sobre o que a pessoa está passando. Afinal, ela vem pra desabafar e, bem, deixá-la sair… Leve… Ajuda, mas é paliativo - se eu puder fazer com que ela pense por um ângulo diferente, pelo menos durante um tempo, talvez isso a ajude a resolver o problema. Por isso falo, não só ouço. Mas isso não quer dizer que seja intolerante e que queira fazer todo mundo pensar igual a mim.
Aliás, Alexandre Soares Silva que citei agora há pouco é cristão. Também é Ana Maria, amiga, também é o Valmir, professor de FHCR (eufemismo pra ensino religioso) com o qual simplesmente adoro travar debates filosóficos e trocar idéias, também é Etori, professor que levou a mim e a Scherer para aquele concurso de Curitiba e tal. Convivo muito bem obrigado com todos eles, sem querer queimá-los na fogueira por não pensarem igual a mim.
Aceito que as pessoas acreditem no que quiser. Mas o que dizer de uma crença que é levada a sério? As pessoas mentem de forma descarada pra tentar justificar seus pontos de vista e passá-los adiante. São mentiras descaradas no cristianismo, desde o Gênesis passando pelo dilúvio e pelo templo até chegar a Jesus, que NÃO EXISTIU, e por aí vai. Eu simplesmente não aceito que isso seja propagado como se fosse verdade, e onde eu estiver não vou deixar que alguém fale isso e permaneça incostestado.
A religião é a coisa mais intolerante que jamais existiu, matando milhões e milhões de pessoas ao longo da história recente, e se ser intolerante é não apoiar essas idéias que causam muito mais dano do que crescimento ao ser humano, então eu sou intolerante com muito orgulho. Mas se não for pedir demais, queridas amigas, entendam o verdadeiro significado de intolerância e vocês verão que o banho de sangue não é meu. Nem palavras ofensivas contra qualquer um que não goste de Kate Nash. Nem surras contra quem não gosta do Figueirense. Nem ignorar o A. se ele não gostasse do irmão dele, Shanitz. E por aí vai.
Tags: dia, Filosofia, intolerância, religião, Vida




Bem pessoal o texto, mas entendo o que quer dizer. O negócio é que quem parte para a violência perde e religião também é um troço muito difícil de argumentar
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Rev. Peterson Cekemp respondeu:
É pessoal mas até que dá pra universalizar bastante… É só discordar de algo com um pouco mais de veemência que já vem “você não aceita as diferenças”…
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