Calma, calma! Não é mais uma das piadinhas insuportáveis sobre eles.

Esse fim de semana fui ver o filme “Tropa de Elite” e gostei BASTANTE. Esse pra mim foi o melhor filme brasileiro já feito, ultrapassando até mesmo “O Auto da Compadecida” – apesar de serem bem diferentes e de certa forma incomparáveis.

Eu falava com o Ibrahim sobre o filme e ele disse que não assistia filme brasileiro. Puro preconceito! Ou será que não? Vejamos…

Ele perguntou se tinha cena de sexo no filme. Eu disse que não, e de fato não tem (a não ser que tenha alguma na famigerada versão da internet. Alguém aí viu?).

Bom, é claro que os filmes brasileiros exageram nas cenas de sexo, mas eu acho que é porque o cinema brasileiro ainda é muito naturalista, realista.

Digo, Hollywood tem tempo (e dinheiro) pra fazer coisas fantásticas como Transformers, Senhor dos Anéis, Harry Potter, etc etc e etc. Nesses filmes, o sexo é um elemento que não acrescenta nada à película, pelo menos em minha opinião. Já os filmes brasileiros são voltados para o cotidiano, o dia-a-dia e têm a pretensão de ser fiel com a realidade – não digo Realidade com R maiúsculo, mas digo nos diálogos, nas interpretações, sabe? O olhar, as palavras, a entonação, até mesmo as ações dos personagens diante das situações. Tudo isso é voltado para o mais real possível, dentro dos limites fantásticos que a trama cinematográfica impõe.

E, uma vez que sexo é algo “natural”, digo, “real” (bom, sendo o povo brasileiro do jeito que é, não é mesmo?) ele está presente nos filmes nacionais com freqüência, e acho injusto classificar como ruins os filmes brasileiros, até porque o sexo também está em muitos filmes internacionais onde a trama se foca no realismo do universo adulto.

Ibrahim disse que Tropa de Elite “não é nada que 24 horas já não tenha feito, e melhor”. Em primeiro lugar, eu nunca gostei muito das cenas de ação da série 24 horas. Sério. Eu gostava de ver pra me surpreender com as reviravoltas da trama e pra ver como o Jack McGyver Bauer iria se sair de suas armadilhas. Mas nas cenas que ele usava a arma, ficava tranqüilo. Ficava agitado nos diálogos mesmo, e só.

Já o filme, não. As cenas de ação são realmente de ação, aquelas funcionam com o espectador. Além disso, os diálogos são bem naturais (o realismo do cinema brasileiro) e no final o filme é gratificante. O funcionamento da polícia te deixa com muita raiva, mesmo. O filme é muito mais filosófico e reflexivo do que se pensa.

O filme é bom, e aqueles que não gostam do cinema brasileiro não vão se arrepender – talvez continuem não gostando, e esse filme constitua uma exceção, mas tudo bem. A não ser que você goste apenas de comédias românticas e de animações, você vai se surpreender com esse filme.

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