Vi há pouco tempo o filme “Juno”, aquele indicado a vários Oscars (tá certo ‘Oscars’?), super hype, super olha-que-baixo-orçamento, etc. E é realmente muito bom, é um filme foda, um roteiro muito bom - e também muito difícil. Vi em inglês com legenda em inglês e gee, quantas gírias! Várias vezes só entendi algumas coisas pelo contexto. Teve uma cena que não entendi naaada. Só na outra cena é que pude entender o que ela falou na anterior.
Mas enfim, até o fim do filme sua mente já está treinada pra entender as coisas mais rápido, aí a linguagem não é mais problema. O filme é muito, muito bom mesmo. É interessante notar a atitude da Junebug (gostei desse apelido carinhoso, tão divertido ele…) diante da ameaça de separação do casal. Ali mostra que ela, apesar de ser tão comunicativa, e parecer tão segura e tão forte na verdade possui ainda muitas ilusões sobre relacionamentos e, por incrível que pareça, uma idéia de “perfeição”. Uma sacada genial de realismo, brincar com essa questão da idéia de perfeição logo numa personagem tão moderna e this-century-likish.
E as cenas do rock com o cara lá? Gee, eu imaginava que os artistas tivessem preferências com guitarras e que o som delas pudesse ser um pouco diferente mas, sempre achei que fosse tudo a mesma coisa, no fim das contas. Fender, Gibson, tudo na mesma, sabe? Não é não. Pelo menos não pareceu…
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Outra coisa que o filme mostra é um pouco da secura que permeia aquilo que podemos chamar de secura da realidade dos relacionamentos. O casal se ama, se adora, até a hora em que os objetivos divergem. Ela quer ter um filho. Ele não. Aí os olhares brilhantes acabam. A fala se torna dura. Cadê o sentimento que estava ali, tão forte? Não está mais. De repente percebe-se que a ilusão nos sentimentos não estava no fato de existirem ou não. Mas no modo como era interpretado aquilo que existia.
Percebe-se que não, não havia ali uma real concessão, preocupação, união, ou o que quer que as pessoas achem que é preciso haver. Havia apenas o egoísmo dos objetivos pessoais que precisava de um casamento, ou pelo menos de um namoro ou relação estável que seja, pra acontecer. A questão é que isso vem de uma certa miserabilidade das pessoas - ou mesmo da idéia sobre o que é o amor - mas algumas coisas não. Alguns objetivos são mais falsos e artificiais que outros; ter um filho, por exemplo, é algo biológico demais pra dizer que foi a sociedade quem colocou isso na cabeça da pessoa.
De qualquer forma, quando existe esse momento, por mais ínfimo que seja, em que as máscaras caem e as pessoas acabam confessando pra si mesmas, com essa secura tão única na voz, como uma outra pessoa é “útil” de alguma forma pra elas… Ali não há sentimento. Foi só um momento em que o sentimento deixou de existir? Não. Foi um em que as máscaras caíram…
Tags: filmes, guitarras, relacionamentos





Pq sinto um ‘quê’ de desesperança?
Ou não seria desesperança, mas simples realismo duro e cruel?
Se esta for a dura realidade, então (no momento), permito-me fazer como os teístas, rejeitando a verdade em prol de uma ilusão.
Minha psiqué não está pronta a rejeitar a beleza - ainda que ilusória- da possibilidade de existir o amor em prol de uma tal dureza de uma possível realidade em que eu não passasse de um conjunto de orifícios projetados para saciar necessidades fisiológicas alheias ou uma simples procriadora ou - pior - um ser projetado para unir-se à outro para saciar - tb - suas necessidades fisiológicas e a necessidade de proteção de si mesma ou de sua prole (que virá como conseqüência desta união).
Realidade dura demais para mim.
Então continuarei na minha ilusão: de que os carinhos que dedico ao outro são frutos de meu coração (e não táticas para mantença do provedor/protetor a meu lado), de que eventuais frutos desta união seriam antes desejados do que impostos pelo império da natureza; de que os carinhos que recebo são frutos também de um afeto real e duradouro e não simples ferramenta para o alcance de um outro interesse (puramente sexual), de que a permanência dele a meu lado não seria tão-somente para garantir uma ‘boneca de carne’ e uma ‘cuidadora da prole’.
Sei lá, Revy…..meio bizarro meu comentário, mas foi o que pensei ao ler a postagem.
(agora acertei: a postagem é sua … tô ficando mais atentaaaa
)
Abraços fraternos, quais caramelos.
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Rev. Peterson Cekemp respondeu:
Nossa, mas como você não consegue identificar isso lendo o texto? Eu consigo saber quando um texto é do Canedo e quando um é do Santaum, eu acho… Bem, pelo menos nas vezes em que não consigo sinto que tem alguma coisa “fora de ordem”, e aí deixo pra lá, como já aconteceu no blog 1001 Gatos…
Mas enfim, sobre o texto, não foi exatamente um realismo de… realidade. Foi um realismo de atualidade. É como as coisas estão, mas não exatamente como são. Eu penso sim que possa ser diferente ^^
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