Num bar improvável à beira de improvável estrada, uma improvável garota observada a improvável chuva de maçãs que caia. Enquanto os funcionários do lugar estavam andando de um lado para o outro tentando compreender o que acontecia, ela parou o garfo com comida a meio caminho da boca e ficou assim, admirando aquele evento climático peculiar, novo, porém estranhamente confortador.

Carros - muitos deles com grandes e pequenos amassados em decorrência da queda das maçãs - procuravam um lugar para estacionar onde estivessem livres de mais amassões. Se ventasse, provavelmente muitos vidros seriam quebrados por maçãs que desceriam ao encontro deles; porém não ventava, apesar do tempo repentinamente escuro e frio, como é característico dos dias de chuva.

A garota do bar desceu o garfo no prato, colocou os óculos e tentou entender (agora que conseguia discernir o que era aquele borrão parado do outro lado da estrada) o motivo pelo qual aquele carro não se mexia, nem parecia se amassar.

Kneeno não podia ver aquela garota - na verdade não podia ver quase nada, já que o exterior de seu carro estava praticamente coberto por suco de maçã - mas se sentia reconfortado por algum “olhar ao longe”. Ele sabia que nunca iria conseguir explicar isso, essa sensação, mas repentinamente percebeu que nada precisava fazer sentido ali (choviam maçãs!). Sua mente, ao se dar conta da lisergia evidente do evento, começou a trabalhar novamente; o que seriam aquelas maçãs? Ora, efeito natural NÃO PODERIA ser. Castigo divino? Alguma peça que alguém estava pregando de algum modo? (Como?)

A garota pensava em diferentes justificativas para a chuva. Na verdade, parecia que a cada maçã que caia um novo significado brotava na mente dela. “Evento natural, não, melhor, uma alucinação minha, ou talvez, melhor ainda, uma alucinação geral, ou então simplesmente é um sonho meu (eu nunca estaria em bares de beira de estrada, a não ser em meus sonhos); talvez não seja nada disso, mas sim um sinal. Sinal? Não, isso não sinaliza nada: é o começo do fim dos tempos. Aquele louco ainda está com o carro parado no acostamento; será que ele sabe o que está acontecendo? Será que ele está dormindo? Com esse barulho todo!? Talvez ELE seja o responsável por tudo isso, afinal nem se mexeu até agora, não tem medo disso tudo? Mas eu também não tenho medo de nada disso…”

Por outro lado, a mente do louco dentro do carro trabalhava cada vez mais rapidamente, cada vez mais desesperadamente, cada vez mais…

“É um sinal!”

Com isso fixado nas idéias, ligou o limpador do pára-brisa e desembestou, numa velocidade que ele nunca imaginou que teria coragem de dirigir, pela estrada. O sinal estava dado, era hora de reagir a ele. f n o r d

Karma | Karma 2 | Karma 3 | Karma 4

Tags: , , , ,

Posts relacionados: