Ora, ora, ora. Vamos apresentar os dois oponentes:

Sören Kierkegaard foi um filósofo cristão que defendeu, entre várias outras coisas, um individualismo extremo: para ele, as massas eram burras e a verdade está na minoria.

James Surowiecki escreveu o livro “A Sabedoria das Multidões” em 2004 e afirma que grupos são mais inteligentes que indivíduos.

Por mais que existam flutuações estatísticas entre muitas pessoas, a cultura de toda época tem uma razão de existir – e principalmente uma razão de se conservar. Se temos, por exemplo, a opinião das massas de que, por exemplo, o dinheiro traz felicidade, há uma razão pra isso. Forças de comunicação moldaram essa percepção lentamente através das últimas décadas uma vez que o capitalismo precisava desse calor e dessa movimentação financeira. Portanto, ainda que isso esteja de certa forma “certa”, o modo como tal “conhecimento” foi adquirido foi tendencioso e, portanto, é perigoso assumir isso como verdadeiro.

Nascido numa época muito anterior à nossa, o pensamento de que as massas são facilmente manipuladas é algo ainda relevante. É fácil entender porque Kirkergaard considera que a verdade esteja nas minorias: aqueles que duvidam, levantam-se contra a verdade estabelecida tem pelo menos a autoridade da investigação pra basear suas afirmações, uma vez que verificam as bases daquilo em que acreditam.

A Superinteressante diz: “Se você perguntar a 100 idiotas quantas balas existem num saquinho, o número médio entre as respostas será mais acurado que o palpite de um especialista em saquinhos de bala”. Bom, por que a média funciona nesse caso? Eu não sei, eu não li o livro. Mas poderíamos supor um dualismo? Para questões subjetivas as multidões não funcionariam, para coisas objetivas elas seriam mais acuradas? Mas por que isso aconteceria?

De qualquer forma, o livro pretende aplicar a “Sabedoria das Multidões” nos negócios, na economia, na sociedade, nas nações… Temos que tomar cuidado. Aplicando o senso comum ao invés de uma atitude especializada – no mínimo investigadora, cuidadosa – as decisões podem insuflar-se de comodismo, de conservação. Além do que, aplicar uma filosofia de multidão na sociedade e nas nações é nada mais do que idealismo extremo na democracia: vamos fazer o que a maioria considera melhor ou, em casos envolvendo números, vamos fazer uma média pra todo mundo.

Posso estar sendo superficial, mas é preciso tomar cuidado. Grupos não existem. Indivíduos existem. Period.

E você, de que lado está? A voz do povo é a voz de (um tipo de…) Deus ou não?

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