Um escritor deveria saber que sempre que está segurando um livro de sua autoria, está segurando o detonador de uma bomba. Quem sabe o “estrago” que o seu livro pode causar em alguém? Livros ficcionais não formam explicitamente um manual de conduta na vida, mas um livro já tem um final definido - já está escrito - e portanto tem-se a sensação de que, o que quer que aconteça com os personagens, aconteceu por causa do destino. Ou, como preferir, numa explanação menos fantasiosa, o escritor quer passar uma mensagem de conduta moral com um livro, sempre quer, porque quando ele pune alguém no final está obviamente declarando ao leitor, o leitor percebendo ou não (não importa), que ele desaprova tal atitude ou aprova tal atitude. E assim as pessoas vão formando uma “identidade”. O que, pros padrões atuais, é uma coisa bem descartável até.

Aí temos dois problemas: em primeiro lugar, o escritor não pode ser irresponsável com sua bomba caseira. Não, não, não que ele não deva usá-la. Tem que usar com responsabilidade. Tem que colocar os materiais certos. E no lugar certo.

E depois, precisamos de leitores mais inteligentes. Arte não é questão de consciência - a ciência dos “processos que ocorrem no ser enquanto ele se regozija com uma obra de arte” destrói a arte - mas é muito interessante que, pelo menos depois que as pessoas terminam de ler um livro, que elas pensem um pouco em si mesmas, no livro, em toda a vida sob uma nova ótica. Faz bem, e não deixa as pessoas se machucarem tanto quando a bomba explode.

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