Apesar do meu individualismo, e talvez exatamente por causa dele, sou a favor dos trabalhos em grupo. Acho que todo ser humano deveria saber minimamente interagir com um grupo. Só que, afinal, por que sou individualista se tenho essa noção de cooperação, de equipe? Porque hoje em dia somos tratados DEMAIS como um grupo - e outra, não é necessário apenas saber trabalhar em grupo, é necessário ter liberdade pra se unir a um grupo ou sair dele. E escolher o grupo também.

Faço esse resuminho pra ambientar minha escolha de hoje. Não vou comprar o moleton do segundo ano. Ah, tenha paciência; já disse Fátima que um debate tornou-se hoje em dia briga de egos (concordo), mas não só os debates. Quando uma pessoa se reúne por livre e espontânea vontade em um grupo por um objetivo que lhe beneficie ou beneficie aos outros (portanto, uma vontade de ajudá-los) ela está ciente de que não se trata dela e da influência dela no grupo. Enquanto ela age naquele e por aquele grupo ela deve abrir mão de grande parte de sua individualidade para agir como uma parte de um grupo, não como indivíduo.

E não, isso não é cruel, se for por escolha da pessoa. Não é necessário funcionar como um degrau numa escada hierárquica, como peça que funcione ao comando de uma central, mas é necesśario funcionar como fração, como parte igual que discute, que dá opinião, que também toma a dianteira para ajudar o grupo. Ali todos cuidam do filho, que é o sucesso de seu objetivo. Cada um faz o que pode para desenvolver esse filho, e isso obviamente inclui foco, sacrifício.

O que acontece lá na sala é um duelo de elos, sinceramente. No segundo ano inteiro. Eu já falei aqui o que acho dessa história de moletons pro segundo ano; algo mecânico, automático, querem seguir essa tradição inventada sem muito sentimento. Ah, quero contar-lhes uma novidade: o terceirão está puto com a gente. Sim, é ridículo, pois foi logo esse terceirão que no ano passado inventou esse negócio de segundo ano X terceiro ano. É tosco (pra seguir a tradição, hum?). Eles já falaram com a diretora e tudo, tentando proibir nossos moletons. Engraçado que, ano passado, durante as olimpíadas, uma amiga minha, na época no segundo ano, falou “e ano que vem quero ver vocês fazendo a mesma coisa com a gente!”. Por que isso agora? Que coisa mais idiota…

Bom, mas enfim, continuando. Hoje eu senti diferente. Não sei se por auto-engano, uma vontade artificial que ganhou aparência de real, mas senti que as pessoas até que estavam se empenhando nessa pequena batalha contra o terceirão. Estavam, mas não sabem trabalhar em equipe. Só o que faltou na sala foi um “ahh, se não for assim não jogo!” (que aconteceu, aliás, ano passado na nossa sala - sim, ridículo). Só eu, eu, eu, eu, eu. “EU!” berrava o íntimo da maioria dos alunos. Sinceramente, desde a oitava série a nossa turma, na minha opinião, é a pior pra se mobilizar pras olimpíadas. Uma turma desunida, fraca, sem ânimo, cheia de egoísmo. Eu até pensei que, com a fusão de parte da 101 na 102 (formando a 202), a sala pudesse melhorar. Mas nada. O egoísmo continua preponderante. Assim não dá pra trabalhar em equipe. Desisti do moleton; eles que se batam lá discutindo o tom de cinza.

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