(Finalmente) acabei de ler o livro “Estrutura das Revoluções científicas”, de Thomas Kuhn, e é um livro realmente muito bom.
Agora veja como minha mente que vê comparações com a vida humana por toda a parte, me persegue: quando comecei a ler os livros, me deparei com ensinamentos muito interessantes pra qualquer pessoa que queira aplicar a ciência no seu modo de viver a vida, com uma visão de ver o mundo, as próprias atitudes.
É claro que para os erisianos que já estão mais a vontade para atacar a ciência sem renegá-la totalmente (e sem fazer disso uma idiotice, também), esse manual para uma vida científica pode ser demasiado falho, por motivos de conhecimento fácil. Entretanto, por que não ajudar pessoas que preferem a segurança do método científico aplicado em suas vidas? Vamos lá para partes importantes do livro:
“ciência normal significa a pesquisa firmemente baseada em uma ou mais realizações científicas passadas [...]”
“essas transformações de paradigmas [...] são revoluções científicas e a transição sucessiva de um paradigma a outro, por meio de uma revolução, é o padrão usual de desenvolvimento da ciência amadurecida”
“na ausência de um paradigma ou de algum candidato a paradigma, todos os fatos que possivelmente são pertinentes ao desenvolvimento de determinada ciência têm a probabilidade de parecerem igualmente relevantes”
“nenhuma história natural pode ser interpretada na ausência de pelo menos algum corpo implícito de crenças metodológicas e teóricas interligadas que permita a seleção, avaliação e a crítica, se este corpo de crenças já não está implícito na coleção de fatos [...] precisa ser suprido externamente, talvez por uma metafísica em voga, por outra ciência ou por um acidente pessoal e histórico [...] é surpreendente que tais divergências [...] possam em grande parte desaparecer nas áreas que chamamos ciência”
“Quando, pela primeira vez no desenvolvimento de uma ciência da natureza, um indivíduo ou um grupo produz uma síntese capaz de atrair a maioria dos praticantes da ciência da geração seguinte, as escolhas antigas começam a desaparecer gradualmente”
“quando um cientista pode considerar um paradigma como certo, não tem mais necessidade [...] de tentar construir seu campo de estudos começando pelos primeiros princípios e justificando o uso de cada conceito introduzido”
“De início, o sucesso de um paradigma [...] é, em grande parte, uma promessa de de sucesso que pode ser descoberta em exemplos selecionados e ainda incompletos. A ciência normal consiste na atualização dessa promessa, atualização que se obtém ampliando-se o conhecimento daqueles fatos que o paradigma apresenta como particularmente relevantes [...]”
“Essas três classes de problemas – determinação de fato significativo, harmonização dos fatos com a teoria e articulação da teoria – esgotam, creio, a literatura da ciência normal, tanto teórica quanto empírica”
“a descoberta começam com a consciência da anomalia, isto é, com o reconhecimento de que, de alguma maneira, a natureza violou as expectativas paradigmáticas que governam a ciência normal. Segue-se então uma exploração mais ou menos ampla da área onde ocorreu a anomalia. Esse trabalho somente se encerra quando a teoria do paradigma for ajustada, de tal forma que o anômalo se tenha convertido no esperado. A assimilação de um novo tipo de fato exige mais do que um ajustamento aditivo da teoria. Até que tal ajustamento tenha sido completado – até que o cientista tenha aprendido a ver a natureza de um modo diferente – o novo fato não será considerado completamente científico”
“na ciência [...] a novidade somente emerge com dificuldade (dificuldade que se manifesta através de uma resistência) contra um pano de fundo fornecido pelas expectativas. Inicialmente experimentamos somente o que é habitual e previsto, mesmo em circunstâncias nas quais mais tarde se observará uma anomalia. [...] As categorias conceituais são adaptadas até que o que inicialmente era considerado anômalo se converta no previsto. Nesse momento completa-se a descoberta.”
“A ciência torna-se sempre mais rígida”
“Quanto maiores forem a precisão e o alcance de um paradigma, tanto mais sensível este será como indicador de anomalias”
“Se a consciência da anomalia desempenha papel na emergência de novos tipos de fenômenos, ninguém deveria surpreender-se com o fato de que uma consciência semelhante, embora mais profunda, seja um pré-requisito para todas as mudanças de teoria aceitáveis”
“A emergência de novas teorias é geralmente precedida por um período de insegurança profissional pronunciada, pois exige a destruição em larga escala de paradigmas e grandes alterações nos problemas e técnicas da ciência normal”
“O fracasso das regras existentes é o prelúdio para uma busca de novas regras”
“[a] proliferação de versões de uma teoria é um sintoma muito usual de crise”
“Esta última [a nova teoria] parece ser uma resposta direta à crise”
“Enquanto os instrumentos proporcionados por um paradigma continuam capazes de resolver os problemas que este define, a ciência move-se com maior rapidez e aprofunda-se ainda mais através da utilização confiante desses instrumentos. A razão é clara. Na manufatura, como na ciência – a produção de novos instrumentos é uma extravagância reservada para as ocasiões que o exigem. O significado das crises consiste exatamente no fato de que indicam que é chegada a ocasião para renovar os instrumentos”
“[...] perguntamos então como os cientistas respondem à sua existência [crises] [...] Embora possam começar a perder sua fé e a considerar outras alternativas, não renunciam ao paradigma que os conduziu à crise. [...] Decidir rejeitar um paradigma é sempre decidir simultaneamente aceitar outro e o juízo que conduz a essa decisão envolve a comparação de ambos os paradigmas com a natureza, bem como sua comparação mútua”
“Rejeitar um paradigma sem simultaneamente substituí-lo por outro é rejeitar a própria ciência. Este ato se reflete não no paradigma, mas no homem. Inevitavelmente será visto por seus colegas como o “carpinteiro que culpa suas ferramentas pelo seu fracasso”.”
“Cada problema que a ciência normal considera um quebra-cabeça pode ser visto por um outro ângulo [...] a crise, ao provocar uma proliferação de versões do paradigma, enfraquece as regras de resolução dos quebra-cabeças da ciência normal, de tal modo que acaba permitindo a emergência de um novo paradigma. Creio que existem apenas duas alternativas: ou bem as teorias científicas jamais se defrontam com um contra-exemplo, ou bem essas teorias se defrontam constantemente com contra-exemplos”
“A ciência normal esforça-se (e deve fazê-lo constantemente) para aproximar mais a teoria e os fatos. Essa atividade pode ser vista como um teste ou uma busca de confirmação ou falsificação”
“O fracasso em alcançar uma solução (para o problema) desacredita somente o cientista e não a teoria”
“[a] paciência com uma importante anomalia demonstrou ser justificada [...] mesmo nos casos em que nem mesmo erros simples parecem possíveis, uma anomalia reconhecida e persistente nem sempre leva a uma crise”
“As crises podem terminar de 3 maneiras, algumas vezes a ciência normal acaba revelando-se capaz de tratar do problema que provoca crise, apesar do desespero daqueles que o viam como o fim do paradigma existente. Em outras ocasiões o problema resiste até mesmo a novas abordagens aparentemente radicais. Nesse caso, os cientistas podem concluir que nenhuma solução para o problema poderá surgir no estado atual da área de estudo. O problema recebe um rótulo e é posto de lado pra ser resolvido por uma futura geração [...] ou, [...] uma crise pode terminar com a emergência de um novo candidato a paradigma e com uma subseqüente batalha por sua aceitação”
“[a] emergência [de um novo paradigma] só tem probabilidades de acontecer quando se percebe que a tradição anterior equivocou-se gravemente”
“confrontado com uma anomalia reconhecidamente fundamental, o primeiro esforço teórico do cientista será, com freqüência, isolá-la com maior precisão e dar-lhe uma estrutura”
“ao concentrar a atenção científica sobre uma área problemática bem delimitada e ao preparar a mente científica para o reconhecimento das anomalias, [...] as crises fazem freqüentemente proliferar novas descobertas”
“Tanto no desenvolvimento político como no científico, o sentimento de funcionamento defeituoso, que pode levar à crise, é um pré-requisito para a revolução”
“Visto que nenhum paradigma consegue resolver todos os problemas que define e posto que não existe dois paradigmas que deixem sem solução exatamente os mesmos problemas, os debates entre paradigmas sempre envolvem a seguinte questão: quais são os problemas que é mais significativo ter resolvido? [...] essa questão de valores somente pode ser respondida em termos de critérios exteriores [...] e é esse recurso a critérios externos que – mais obviamente que qualquer outra coisa – torna revolucionários os debates entre paradigmas”
Tags: ceticismo, Ciência, literatura, livros, Racionalidade, razão, teoria



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