O que é mais importante para os movimentos anarquistas, anarco-discordianos ou qualquer coisa do gênero? Nossa meta de conscientização é o indivíduo, a sociedade, ambos ou nenhum? Se um dia chegarmos a uma definição segura de como a sociedade deveria ser, como deveríamos alcançá-la? É certo que mesmo sem definição segura todos que tenham uma mentalidade de “mudar essa porra de situação” sabem mais ou menos o que seria uma boa sociedade. Entretanto, deveríamos alcançá-la através de reformas, de guerra civil, do uso de territórios remotos e abandonados por exploradores da nossa sociedade, ou o que?

Tomando por exemplo a desigualdade social do estatismo / capitalismo, o que devemos fazer? Construir uma sociedade estatista / capitalista que, em primeiro plano, acabe com a desigualdade social (impossível para tal civilização), para depois pensarmos em melhorá-la com a liberdade anarquista? Esse é o principal problema (e sempre foi) do anarquismo. A falta de concordância sobre o método. Se todos parassem e dissessem “Ok, não gostamos de vocês, vamos fazer uma puta revolução agora na cidade X”, talvez fôssemos bem sucedidos. Mas não, pelo contrário, alguns diriam “não, não é assim que chegaremos ao anarquismo”, entre outras explicações. Bom, se não é assim é como então? E mesmo que haja um novo como, quais são as conseqüências? Agora ou Depois? Hoje ou Amanhã? As duas não são integralmente excludentes, mas qual delas é menos excludente?

Entretanto, é o preço que se paga pela liberdade individualista. A liberdade de fazer com que cada um tome uma decisão, independente da escolha sedutora de fazer com que todos submetam-se a um mesmo “sistema”, a uma mesma máquina, onde cada um seria considerado uma peça dessa máquina. Alguns perguntariam: mas qual é o problema se a máquina dá certo? Bom, há diversos problemas, mas não quero discutí-los aqui. O importante é questionar se, mantendo a liberdade individualista é possível chegar a alguma ação concreta para tornar realidade uma organização social anarco-discordiana - concreta mesmo, sem ser uma exposição de arte, uma palestra ou qualquer coisa do gênero. Talvez sim, caso o número de adeptos cresça o suficiente. Dessa forma, pequenas inconsistências entre métodos similares podem vir a se eliminarem para possibilitar uma ação em grupo, e dessa forma vários grupos, relativamente grandes, com diversos métodos diferentes, podem atuar.

Isso não seria, portanto, um modo de criar pequenas máquinas? É, talvez. É um caminho sem fim. É melhor se perguntar: A construção de máquinas não seria um meio consciente para se alcançar esse fim de destruição delas mesmas (Quando isso não significar desistência ou derrota)?

Ainda assim, que é triste desistir da individualidade, é

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