Uma exceção pode ser tomada como ação, diante de uma dura realidade humana?

Eu tenho clara em mim uma noção argumentativa sobre o anarquismo, o domínio da razão sobre as ações, o eudemonismo, o individualismo, etc. Essa noção nunca foi questionada por mim como falaciosa, mas acho que ela não o é. É apenas um ponto de vista.

Algumas vezes meu irmão comentou a lei da evolução, a lei da selva, etc, como sendo a responsável natural pelas guerras, e justificou as mesmas, com extrema naturalidade. Ele diz que o homem, afinal, não pode fugir às regras da natureza.

Com certeza, a muitas regras ele não pode fugir. A muitas mesmo. Mas eu me pergunto: de que serve a razão humana? Segundo a introdução do livro “O que nos faz felizes?”, o psicólogo que o escreveu revelou que os psicólogos fazem um juramento quando se formam: responder, até o final da vida, a pergunta: qual é a diferença entre um homem e um animal? Muitos psicólogos, segundo o autor, tentaram se esquivar durante muito tempo desse compromisso ético, porque sabiam que a resposta poderia se mostrar mentirosa daqui a algum tempo, com novas descobertas científicas.

Bom, pelo visto, a “razão” humana é um termo muito contingente, porque ali não apareceu nenhum psicólogo que tenha defendido a tese “o homem é o único que possui razão”. Entretanto, essa autoconsciência (saber que tem consciência), entre outros elementos que, diga-se de passagem, formam a razão humana, tem que servir pra alguma coisa!!! E eu digo pra que ela serve. Pra que não nos tornemos iguais aos outros animais: puras vítimas da lei da natureza. A razão serve pra que tomemos nas nossas mãos o destino de nossas vidas, e não sejamos escravos de nossos instintos, de uma parte de nós que conhecemos apenas pelo nome.

Agora entendo o que Kant quis dizer quando disse que a liberdade só é alcançada através da razão. Agora concordo totalmente com ele. Antes não entendi muito bem o conceito, mas agora tudo está claro.

Então, quando meu irmão fala sobre isso, eu penso: “mas as guerras não podem ser justificadas por isso! A razão humana serve pra que possamos fugir à bestialidade das guerras e possamos viver sem elas! Eureka!”. É, gênio, só que você esquece que nem todo mundo gosta de usar a razão nos dias de hoje… Uma pena.

Sobre o anarquismo, por exemplo, a sociedade utópica, considero esse um argumento a meu favor. Se me falarem que a natureza do homem é ser egoísta, é ser mercenário, etc etc etc, eu respondo: com a razão, conseguimos ser diferentes. É claro que isso é uma exceção, mas não significa que deva ser ignorada.

Afinal, pensar não deve ser tão difícil assim.

 

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