Por Simen

 

Quando converso com teístas, eles têm me pedido muito para que eu lesse vários livros sagrados (geralmente a bíblia) com uma mente aberta. A implicação disso é que, se eu der ao livro deles uma olhada boa e com uma mente aberta, Eu estaria convencido e começaria a acreditar, bem como eles. Além disso isso implica que eu não sou tão “mente aberta” quando eu digo ser, mas pareço ser próximo a um religioso, porque eu não examino cuidadosamente os vários livros deles com uma atitude agnóstica (ou seja, não decidida).

Por favor, não me peça pra ler seu livro sagrado com uma mente aberta. Eu posso descrever minha mente como aberta, mas não tão aberta que o bom senso me falte. Você não vê? Existe uma falha com esse pedido, e está olhando bem pra você. Existe um elefante gigante na sala, e ainda você fecha os olhos pra isso. Esse é o modo pelo qual um livro sagrado pode dar validade a si mesmo.

Deixe-me reiterar o que me considero. Sou um cético. Sou um materialista (Eu procuro por naturais, ao invés de sobrenaturais causas). Eu não sou um cientista no sentido de que trabalho com ciência, mas sou um fã do método científico. O que isso diz sobre mim? Que não vou tomar uma palavra do próprio livro como validade. Lendo seu Livro Sagrado ©, eu só vou aprender um pouco de mitologia. Não vou acreditar naquilo.

Por que isso? Deveria ser óbvio, mas aparentemente não é. Eu não acredito. Eu admito que não li a Bíblia inteira. Isso significa que não posso criticar o cristianismo? O fato de que não li o Alcorão significa que não posso criticar o islamismo? Claro que não! Eu não acredito neles. A premissa básica desses livros é que eles são de natureza divina. Eles são construídos tendo como ponto de vista de que são inspirados ou divinamente entregues por Deus, criador e tudo mais.

Naturalmente, eu não posso achar que uma premissa é verdadeiro por assumir essa premissa. Isso seria lógica circular. Seria o mesmo que escrever um livro me descrevendo como Messias e então eu admito que o livro (vindo do Messias) é de natureza divina e uso essa premissa para provar que eu sou, de fato, o Messias. Assumir uma conclusão é caminho pra provar nada. Na verdade, é válido. Se assumimos que uma proposição é verdadeira, significa que a preposição é verdadeira, mas de modo algum justificamos esse pensamento.

O que isso significa? Isso significa que não sou tão estreito para não ler sua conclusão pra acessar sua conclusão. Se quer provar que a Bíblia, ou o Alcorão, ou qualquer outro Livro Sagrado © é realmente de natureza divina, você precisa contar com outras fontes. É aí que a conversa geralmente desanda. “Mas o Messias disse que requer fé pra acreditar!”. Lógico. É a mesma coisa.

Por exemplo, para provar que Jesus era de fato filho de Deus, um cristão me apresenta alguma citação da Bíblia (que eu não consigo lembrar onde fica e me irrito quando procuro) que diz algo como “se eu [Jesus] não fizer milagres, não acredite em mim”. Milagres deveriam ser um sinal de que Jesus é filho de Deus. Então essa pessoa foi ler outra citação da Bíblia onde Jesus faz milagres. Tã-dá! Jesus-filho-de-Deus instantâneo! Claro, não é assim que funciona. Isso foi tudo baseado no fato de que a Bíblia era verdade pra começar.

Isso é um aviso para teístas que desejam justificar sua fé para não-crentes ou crentes de outras fés: nunca deixe sua conclusão provar sua conclusão. Não importa o quão rebuscado e complicado soe, se sua lógica pode ser rastreada da sua conclusão de volta pra sua conclusão, você fez um círculo, e lógica circular nunca prova nada. O momento que alguém descobre sua lógica, eles irão reconhecer que você não tem nada. Então, por favor, conte com outras fontes, se puder ser gentil. Vai te poupar de muita vergonha.

 

Este texto é uma tradução. Veja o original (inglês) aqui

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