Ao debater algo com uma pessoa, use a expressão “ah, mas no fundo, no fundo…” pra introduzir a ela um ponto de vista que, estranhamente, explica a motivação para a defesa de um argumento. Mais ou menos como:
- O socialismo é muito melhor!
- Mas por que você defende o socialismo?
- Porque é uma teoria política muito melhor!
- Ah, mas no fundo, no fundo, você defende o socialismo porque tem medo da alta competição da sociedade atual!
Não importa que não seja verdade. O mecanismo é o mesmo e sempre funciona; mas talvez não do jeito que você espera. Esse artifício é mais ou menos como um golpe de cortesia, algo pessoal contra o debatedor adversário. Não vai fazer você ganhar o debate, mas vai aturdí-lo profundamente. Ele pode até não demonstrar, só que mais tarde, quando ele for dormir… Ou mesmo antes, quando ficar sozinho e se lembrar do que você disse… Ele vai se refletir e essa dúvida vai corroê-lo… Vai dar um bom trabalho, se a pessoa for minimamente preocupada com o próprio autoconhecimento.
Isso porque a verdade absoluta nos mostra que pra todo ponto de vista existem boas razões que o justifiquem. Pra todos, inclusive opostos. Logo, como não há nenhum valor absoluto em ponto de vista algum, atacar as justificativas que a pessoa dá pra suas escolhas ideológicas é o modo mais eficiente de aturdir a pessoa pessoalmente, pois as justificativas são extremamente frágeis - são relativas demais.
Agora que você já sabe disso, lembre-se que as nossas escolhas é que valorizam pontos-de-vista. Sartre e Dumbledore diziam isso. Portanto, não caia no mesmo truque e prossiga o debate, sem se incomodar com isso, nem durante, nem depois, porque você sabe que é só um artifício.
Obs.: não tente fazer isso com discordianos. Com eles, não funciona mesmo. Provavelmente, aliás, eles mesmos já se perguntaram isso antes que você. Eles - digo, nós somos bons nesse negócio de “mas será que não é porque…”.
Tags: artifício, Debate, dialética, Filosofia, Racionalidade, razão



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