Conteúdo Controle do Consciente

  1. O controle do consciente…
  2. Controle do consciente… (2)
  3. Controle do Consciente (3)

Ontem eu visitava minha pasta sobre arquivos escolares e encontrei por acaso um arquivo que não deveria estar lá. Ele se chamava “problemas de imaginar o futuro”, e foi resultado de minhas anotações pessoais para um livro que li há algum tempo, o “O que nos faz felizes”.

É um livro realmente muito bom. É direto e simples de entender, mas só quando você lê. Os capítulos são grandes e a passagem de um tema para outro é tão sutil que às vezes você é levado por uma linha de raciocínio tão suave que não se lembra muito sistematicamente, de modo a formar informações, do que leu.

Hoje em dia esse livro está com meu irmão, mas vou colocar algumas coisas aqui que eu anotei sobre ele:

Crença de que as coisas são na realidade tais como aparecem na nossa mente.
Assim como preenchemos a experiência visual presente, preenchemos a memória e o futuro, automaticamente, com informações não especificadas.
Nós consideramos, ao olhar para o presente, mais as presenças do que as ausências. Ao olhar para o futuro, as ausências são ignoradas, muitas vezes.

Essa parte se refere à falta de visão que temos ao olhar para o futuro. Não conseguimos enxergar outros elementos e as mudanças que eles sofrem, porque nos focamos em um objeto de atenção apenas. Além disso, não consideramos as ausências, só as presenças ;).

Cada um de nós está preso a um lugar, a um momento e a uma determinada circunstância, e nossas tentativas de transcender tais limites com a mente são, na maioria das vezes, ineficazes. Consideramos que extrapolamos esses limites simplesmente porque não sabemos a extensão total que eles delimitam. A imaginação não consegue romper a linha do presente com facilidade, em parte porque, pra fazer isso, ela deve usar a maquinaria da percepção. Como esses dois processos têm que rodar na mesma plataforma, às vezes não sabemos qual deles está em ação. Assim, interpretamos que o que sentimos quando imaginamos o futuro é o que sentiremos quando chegarmos lá, mas, na verdade, os nossos sentimentos quando imaginamos o futuro sempre são uma resposta ao que está acontecendo no presente. O acordo entre a imaginação e a percepção de compartilharem o mesmo espaço é uma das causas do “presentismo”, mas não é a única.

Enfim, tem várias partes importantes. Mas um dos questionamentos imediatamente levantados por mim quando li o arquivo foi: por que eu não mudei? Porque eu continuo caindo nos mesmos erros que um dia soube que existiam?

Bem, eu tenho duas teorias: a primeira é de que isso é imutável. O que eu acho que não. Penso que o problema está melhor descrito na segunda teoria: eu não estava preparado. Quando eu li esse livro, nem tinha background cultural bem definido… Ainda era anarquista, sem muita noção de como as coisas interagiam fortemente entre si… Várias coisas desde então abriram a minha mente. Da mesma forma como não gostei de filosofia na primeira vez que li “O Mundo de Sofia”, hoje AMO filosofia. Isso porque eu não estava preparado. Comecei apenas simpatizando com a anarquia, depois lendo um texto de Bakunin, depois caindo na incerteza da filosofia… Pra ressurgir então com a minha própria filosofia, mas ainda cambaleante, intestada… Então, finalmente, hoje tenho o discordianismo. E acho que dessa vez estou preparado.

Que venha esse livro. Quando o meu irmão me devolver.

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