11/08

Hoje escrevi para o blog, li um livro. Almocei. Isso foi ontem. Escrevo esse diário no dia 12. É uma e vinte da manhã.

Não sinto frio, ainda estou de Jeans e deveria estar dormindo. Deveria? Nada. Deveria nada.

Pretendia fazer desse diário algo extenso. Pretendia fazer dele algo complexo, mas não consigo. Não estou com sono, mas nada faz muito sentido.

Hoje me irritei, antes de sair de casa, à tarde. Eu li “Tragédia” de Nietzsche, ou tentava, mas meus pais discutiam sobre telefonia fixa e móvel, pedindo minha participação. Entretanto, eu estava concentrado, e minha doença psicopática se revela em minhas leituras. Quando leio, o meu próprio espírito desce sobre mim, um levante ocorre sobre meu ser e nada mais desejo senão que todos parem no tempo e sirvam aos meus desígnios. Juro que eles são poucos. É demais exigir silêncio, ou mesmo falta de atenção? Nota posterior: muitos exigem atenção, quando leio quero falta de atenção. Quando leio, busco música, no máximo, porém jamais procuro interação. Minha leitura é solitária, e isso desejei ardentemente hoje, frustrando a mim mesmo.

Não sei se participei do chilique de selecionadas ou de reflexão profunda: caiu sob mim uma agonia que me irritava. Como algo que me incomoda, não me entristece e conseqüentemente, comoda. Me senti impelido a fazer alguma coisa.

Minha primeira reação foi o pensar: sou alguém que pensa, para minha sorte e para meu azar. Pensei em minhas escolhas, em minhas horas, no meu jeito e nas minhas permissões pra me acomodar, me vi como covarde, hipócrita e impotente. Me senti como rebelde com razão de ser: é normal que haja um rebelde, ele se tornou arquétipo. Ovelhas negras ainda são ovelhas.

Senti que faltava algo. Seria na teoria ou na ação? Fui alfaiate do meu caricato ideal, terei agora de vestir a fantasia.

Não há mais desculpas, não há mais direções. Minha mente estava mergulhada no caos; de lá saiu a bomba que explodiu a minha mente. Essas linhas escrevo num caderno sujo, com lápis impuro do dinheiro ensanguentado, cada papel das profundexas da selvageria humana projeta tudo aquilo que mais odeio e mais desprezo. As sombras que divertem e aniquilam o futuro, seja ele o que for.

Fui hoje ainda aquilo que era. Preciso ter nojo do que eu era pra explodir minha mente? A minha essência borbulha e neste momento sinto sono. Meu olho cansado, meu braço doído, meu dedo pressionado, e cada linha feita com pressa. Pressa de que? Nada tenho a esperar, exceto que eu seja mais e mais qualquer coisa que eu venha a ser. Que eu faça aquilo que eu queira falar, e que seja capaz de ser guia vivo para aqueles que experimentem o misticismo intracedental agnóstico hihicroned, seja essa porra o que for.

Serei capaz de não me repetir sem cair na preguição que me leva à escolha da falta de liberdade? Me assalto com pensamentos sobre responsabilidade, e a dualidade sartrana que me abateu durante toda a viagem, onde me entreguei aos devaneios e aos pensamentos redundantes. Onde foram parar as linhas de coisas importantes a anotar?

Aqui! Ah, que grande irrelevância tenho aqui, que grande lapso de objetivismo. Aprendi que o subjetivismo é o inestético. Não espero conquistar você com minhas penúrias, elas de nada valerão. Espero apenas explodir a mim mesmo cada vez mais. E o que sobrar…

O que eu faço com o que sobrar?

É uma e quarenta e cinco. Não aguento mais. Vou dormir.

-/-/-/-/-

12/08

Acordei e fiquei me virando na cama mais um pouco. Meu pai abre a porta e se surpreende com o horário. Tenho que me levantar. Agora, por que não me levantei antes? O que me faz levantar da cama? Penso que nesse frio a cama era minha vontade, e isso não significa que eu ficaria ali na cama pra sempre. Isso já aconteceu antes e me levantei depois de um tempo.

Agora há pouco, enquanto lavava o rosto, me perguntei sobre o dia dos pais. Quando me acordei, não dei parabéns para o meu pai. Eu não me lembrei; eu não sei de muita coisa quando eu acordo.

Mas será que eu tenho mesmo esse negócio que eu chamo de “síndrome do zumbi matinal”? Será que não é uma desculpa para minhas falhas? Tenho que entender melhor isso.

Quanto ao dia dos pais, eu acho que essas datas comerciais deveriam ser ignoradas. Há muito tempo eu acho que presentes deveriam ser espontâneos.

Mas e se cada vez que eu quiser presentear alguém eu achar que estou só compensando? Não sei como fazer da espontaneidade algo real. Penso que talvez me abster de presentes por um tempo seja uma boa solução.

-/-/-/-/-

Já é noite. Quase oito horas, ainda estou na minha vó. Nota posterior: eu fiquei lá até as dez. Minha raiva contida não encontra razão de ser. Consumo esse fogo com cigarro de face cerrada.

Preciso ir pra casa, terminar meu dever de cada, tomar um bom banho pra ir pro suplício escolar segunda de manhã. E ainda estou aqui, nessa agonia desastrosa!

Nessas horas que meu individualismo e a noção de que a autonomia é sempre melhor afloram e encontram meios pra se propagar. Que droga, que interno. Mal decidi me tornar senhor de mim mesmo e já me vejo preso pelas limitações que não escolhi. Ou será que escolhi? Foda-se, daqui pra frente não quero me colocar na mão de ninguém, mesmo que isso signifique não ir mais nem pra Itajaí nem pra Blumenau.

Entretanto me orgulhei de meus progressos. Senti uma certa diferença, me senti mais espontâneo, principalmente em relação ao riso (cortando aqueles momentos de riso social). Nota posterior: será que aquela tia da Roberta me achou antipático? HeAEHEAhEAHeaEA tô nem aí!!! Fui ainda capaz de sustentar uma longa discussão filosófica sem ser intolerante, sendo receptivo, mas mantendo com razão, no sentido de com motivo idôneo, minha opinião.

Mas ainda falta algo. Não sei se é porque estou sem muito movimento de modo geral, mas estou sem espaço nos meus pequenos atos. Ainda me sinto acorrentado nas pequenas coisas. Não quero diferença por diferença, que merda. Entre meu antigo eu e meu novo ‘frame’ há a minha vontade de ser, a seleção e a interpretação me deixam bem longe do animal sofisticado.

Tags: , ,

Posts relacionados: