Aula de química: Enquanto ela faz a chamada eu vou começando…
Hoje a TV despertou e me levantei pra diminuir o volume. Acabo de rir com alguma coisa muito engraçada que eu nem sei direito o que é. Acho que tem a ver com despertador ou algo assim.
Voltei pra cama. Não me permiti dormir novamente, não, isso não, sabia que eu ia me fuder se eu fizesse isso. Por isso me levantei e pensei: “Vamos… Não quer ser o super-homem? Agora aguenta…” Nota posterior: com a voz mais nojentinha que eu conseguia imaginar. Mas é isso mesmo, ossos da liberdade. Concorda?
Saí, cheguei no colégio. Me mostrei disposto, alegre, solto, diferente. Mas será que agi como queria? Ou queria só parecer diferente, só faz disso uma nova imagem? Nota posterior: acho que ninguém percebeu. Anyways, essa não é a minha intenção.
Ah, sei lá. No exato momento estou mais livre, leve, mais… Talvez com sono. Vamos ver como me saio no recreio.
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Aula de química ainda. Reabri o caderno pra escrever que tenho medo de que o cotidiano afogue meus planos. Será?
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Aula de gramática. Penso que estou indo bem. Me despreocupei, me libertei um pouco das minhas próprias pressões. Talvez um esforço posa ter me deixado já levemente acostumado, e um esforço maior acabe fazendo com que a pressão de meus ideais discordianos seja menor. Esse é meu ideal e, acima de tudo, meu maior medo. Interiorizar tudo o que penso, nesse momento, que me leva a viver uma vida melhor é perigoso porque pode me afastar de outras visões, de outras idéias. Me acostumar é criar uma máquina. Esforço é necessário; mas também quero viver a leveza da liberdade.
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Escrevendo às cinco e meia, aqui no texto do wordpress mesmo. Algumas considerações sobre o dia:
Primeiro, tenho que aprender a dizer não e mesmo ignorar certos pedidos por pura “ignorância”, no verdadeiro sentido da palavra. Que droga, às vezes tenho a impressão de que a “educação” não me larga, que ainda que haja segundo meus conceitos e segundo minhas vontades, ainda estou preso à velha “educação”, de alguma forma, ao olhar severo da moral cotidiana.
Por exemplo, eu posso de alguma forma não ligar pra isso. Tudo bem, mas não é tudo. Acho que é isso que ainda falta. Simplesmente não ligar mais, não me importar. Não é que isso seja de todo ruim. Mas penso que não tem como ser moderado se você antes não é radical (se você, claro, já passou por um dos lados). Porque se antes estava totalmente preso a isso, não adianta agora querer ser “moderado”, o que pra mim é o bom. Agora tenho que ser é bem mau educado, bem chato, bem nem-aí-pra-você, sabe? Isso pode ser ruim, posso acabar fazendo com que as pessoas se afastem um pouco de mim, mas se eu não me desgrudar dessa merda toda e não me acostumar a viver assim, tipo, livre disso, mas aceitando-a de vez em quando, eu não vou fazer isso assim.
Eu acho que é isso que eu sinto que ainda me faz ser um pouco preso, essa submissão de alguma forma aos velhos valores, não os macro, mas os micro. Aqueles do dia-a-dia, aqueles do “pode deixar que eu faço pra você” ou do consentimento com o olhar pidão. Eu preciso aprender a me livrar disso urgentemente pra poder ser equilibrado, pra poder encontrar um caminho do meio pra essas questões. Se eu já fui escravo antes, só sendo vagabundo pra encontrar o emprego assalariado: do primeiro pro terceiro direto acho que não dá.
Hoje, por exemplo, uma amiga minha pediu que eu a ajudasse com matemática. Ela precisa bastante de ajuda na matéria, e tenho um pouco de irritação com esse meu ímpeto de dizer “sim” direto, assim, de primeira. Que droga, essa asserção desmedida me faz um pouco bobo perante esses pedidos, deixa até mesmo aqueles ao redor de mim mais preguiçosos, se quer saber.
Eu ia até comentar sobre outra coisa, mas isso tudo tá muito largo. Acho que meus progressos estão razoavelmente bons: só preciso responder a algumas perguntas e tomar algumas atitudes. Pelo menos eu já sei quais são as perguntas, ou boa parte delas, e quais são as atitudes a tomar (algumas só vou saber depois de ter a resposta das perguntas). Mas tudo bem, beleza. Continuo.
Obs: é incrível como eu estou meio bobo com as pequenas coisas. Mesmo irritado, quando alguém pediu pra que eu passasse o grampeador na aula de laboratório, eu passei com calma, serenidade, pá… Isso não pode ser irrelevante, caramba, é uma mudança, é essa pressão de consciência que eu faço sobre mim mesmo. Me sinto muito bem com isso. Sério mesmo.
Tags: dia, Filosofia, SH-D




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