Alguns animais têm formas e cores sugestivas para escaparem dos predadores. A comunicação, habilidade para transmitir informações, moldou evolutivamente os animais. O camaleão consegue mudar de cor e assim fornecer informações erradas para o predador. Na mente do adversário, a realidade será forjada de acordo com essa informação.

Isso, digamos assim, é a realidade. As informações e o sistema da mente, i.e túnel-realidade ao qual as aplicamos formam nossa realidade. É ao mesmo tempo nossa prisão e nossa felicidade.

Ao dionisíaco, ao “estado de espírito” dionisíaco, aplicam-se os sentimentos, as sensações, os instintos e essa realidade suposta.

Entretanto, somos seres racionais, e essa capacidade nos dá duas possibilidades: aprofundar-nos nessa realidade ou sair dela.

Se considerarmos as informações que temos como certas e as interpretações que temos delas como erradas, ou vice-versa, tenderemos a utilizar a lógica (se entendermos a lógica, é claro) ou a introspecção para modificar nossa visão de realidade. Se a realidade é uma prisão, essa atitude diminui o espaço da sala. Se a realidade suposta é como uma faixa, essa atitude estreita a faixa, eliminando as incorreções.

Entretanto, se considerarmos ambas as informações e as interpretações como erradas, tendemos a questionar a base dessa realidade – nossa consciência se eleva para além do natural, para além do real, para um mundo de conceitos e possibilidades.

O autodomínio, o autoconhecimento – E o domínio E o conhecimento – a mudança como sujeito, elas são atitudes racionais.

Esse texto teve com objetivo resumir minha teoria de faixas de realidade. Eu não vou além dessas poucas palavras porque, se continuar, falarei mais do mesmo, mais do que já escrevi em outros textos e no próprio livro.

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