O time estava se concentrando no vestiário, eu como capitão, motivei o time falando “O jogo não está muito difícil, mas também não está muito fácil, não estamos entrando pra perder, mas também não estamos entrando para ganhar, estamos entrando para lutar!”, nisso, todos soltaram um berro “Ehhhhhhh!” e com os nervos a flor da pele saímos do vestiário.Eu era capitão e goleiro, por isso puxei a fila, atrás de mim, vinham mais 13 pessoas, e a torcida começou a fazer barulho, mas um barulho silencioso, estávamos tão concentrados porque íamos jogar contra o até então melhor time do campeonato, eu não escutava aquele barulho, um barulho que entrava direto para o interior, não passava pela minha audição, quem escutava ele era meu coração, que só fazia eu pensar: “Esse jogo é nosso!”.

O jogo se inicia, a torcida continua fazendo um barulho, barulho que só atrapalhava o adversário, os deixava com medo, pois nós simplesmente vibrávamos, não deixavamos a torcida tirar nossa atenção, eu como goleiro, via a bola “em câmera lenta”, conseguia acompanhar cada giro, cada pingo da bola, enquanto o time adversário estava no ataque, esquecia-me daquela torcida que fazia aquele barulho ensurdecedor, e só olhava paa aquela bola, esquecia-me do adversário, só olhando para o movimento daquela bola, e com músculos contraídos, só esperava o momento certo de saltar, salto este que nem passava pelo meu cérebro, ia direto da visão para os músculos, da visão para a mão, foi então, que o melhor time da competição ficou boquiaberto com a solidez da nossa zaga, ficou de queixo caído com a firmeza das minhas defesas, ficou amedrontado com a força de nossa torcida, e então abriu portas para nosso poderoso ataque.

Confesso que no início fiquei com medo, medo este que não era do adversário, e sim da nossa superconfiança, quando vimos aqueles adversários abobados, se entregando ainda mesmo no 0×0 pensei que isto fosse mau para minha equipe, que ela achasse que poderia vencer o jogo a qualquer instante, algo bem prepotente, coisa que vem do homem antigo, que achava que a força fazia o homem, e não que o homem faz a força.

E no final, ganhamos, não foi graça a nossa técnica, nem graças ao nosso futebol, mas ganhamos no principal fundamento, naquilo que decide o jogo, na raça, raça esta que nos deu o placar de 7×3, foi assim que caiu o melhor time do campeonato.

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