Li sexta-feira a maravilhosa obra de Mark Twain. É um romance que começa meio chato; esqueci-me muito facilmente da época em que foi escrito, e seu vocabulário rebuscado meio que me chateou um pouco. Não, mentira, eu não me chatearia tão fácil por causa de um vocabulário; eu li Dom Casmurro, oras (embora não tenha suportado mais de quinze páginas de São Bernardo). É que no dia em que comecei a ler, estava com sono, e como toda introdução, dá um pouco de sono.

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A parte de trás do livro diz que o romance faz rir e chorar (com outras palavras). Bom, eu me lembro mais das horas em que tive vontade de chorar das que tive vontade de rir – estou sendo cauteloso, porque não ri em momento algum. Acho que os momentos em que eu deveria ter rido são aqueles em que Edward, na condição de “mendigo”, ainda dá ordens a tudo e a todos. Mas isso não me fez rir. A cada nova exigência e petulância, eu pensava: “ele é idiota ou o que?”. Ainda mais pro final, eu pensei também “o que esse povo tinha na cabeça? São mais fodidos que os mendigos de hoje e ainda assim louvam seu rei!”. Deve ter sido uma época de forte repressão, porque tudo ali deu a entender que era mais fácil falar mal de Deus do que do rei.

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Falando sobre introduções, se tem algo que me irrita um pouco é o clichê de todo livro de terror ou policial: ele começa com uma morte. Sim, eu sei, o objetivo é pegar o leitor logo de início, mas pra mim não faz diferença alguma se a morte só viesse na página 150 de um livro de 200 páginas; livros interessantes não são feitos de ganchos, como na televisão.

Além disso, é meio óbvio o que o autor pretende fazer com isso. Pegar o leitor, prender a atenção, entende. É como se você o visse controlando um boneco. Perde a graça, sabe? Ele ainda sorri forçadamente e levanta as sobrancelhas com aquela cara de “hã? Hã? Tá legal assim, tá se divertindo, tá gostando??”. Dá um pouco de pena. Não que seja o mesmo sentimento nos livros, mas é parecido.

Vai ver ele não sabe o que fazer nas primeiras páginas e tenta colocar algo impactante. Pra citar um exemplo cinematográfico, Pequena Miss Sunshine tem um começo sem sal, porém com uma classe que desperta um interesse sutil e crescente. Não precisa de artifícios como mortes, explosões, brigas e tempos inversos – livros que começam no futuro, pra começar a explicar no segundo capítulo o passado – pra despertar o interesse. Bom, alguns livros conseguem despertar o interesse com esses artifícios e isso não fica – ou não aparenta ser – artificial.

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