Texto originalmente publicado no Nada Pensitivo!
“Confie em mim”, diz a voz com a qual todos nós já nos deparamos. “Eu sei que isso não parece real / certo / lógico, mas, por favor, confie em mim”.
Essa é a voz da fé. Acreditar naquilo que contraria o que se tem por certo, por lógico. O problema da fé é que ela, como aponta Kierkegaard, é um tanto quanto necessária. Nossa biologia limita-nos; não temos todas as informações, e escapam a nós todas as relações possíveis entre elas. Logo, além do que se pode saber há a fé. Até certo ponto, há conhecimento. Depois, há apenas escolha.
Mas quais são as conseqüências da fé?
Em primeiro lugar, retire fé do contexto religioso – não é desta fé que eu estou falando. Sobre isso falarei num futuro próximo, um post que se seguirá a esse. Em segundo lugar, eu me recuso, por falta de vontade, espaço num post de blog, estudo e reflexão, a debater o assunto extensamente, como ele merece ser debatido. O que eu quero é mostrar como o mundo é injusto. Ou simplesmente caótico.
Porque, veja bem… Uma amizade. Ou até mesmo uma relação amorosa. As atitudes da outra pessoa para com você demonstram os sentimentos dela, mas o nosso conhecimento é limitado demais. É preciso ter fé nos sentimentos da outra pessoa.
Mas os problemas começam quando as atitudes da outra pessoa contrariam isso. Ela fala e você acredita em seus sentimentos, mas ela toma atitudes que vão à direção contrária! E então, acreditar ou não?
Agora que o problema está apresentado, continuemos.
Na maioria das histórias, dos contos, dos romances, há um momento onde é necessário para algum personagem nadar contra a corrente da lógica, sem nenhum lugar onde se apoiar – ou alguns poucos e frágeis – e o problema é que a realidade é por demais caótica, e há uma chance de que o bizarro e o improvável aconteçam.
Mas a questão é: como a sorte do universo pode premiar uma pessoa por ela ir contra toda a lógica e o conhecimento? É como dar um iPod pro estudante que tirou a pior nota da sala. Em uma cultura recheada de histórias onde a fé e a esperança contam mais do que o conhecimento, estamos criando pessoas ignorantes, que valorizam mais uma intuição boba do que a capacidade de raciocinar.
Mas, ao mesmo tempo, não estariam os burros inflados com coragem? Bem, aí depende. Se a fé é tanta que não há sequer medo de estar errado ao contradizer a mente, então essa coragem não tem valor algum. De que adianta a coragem, se ela não for o fruto da mais intensa das batalhas entre a vontade e o medo?
Nesse caso, quando a pessoa conhece a lógica de uma situação e ainda assim a contradiz, ela está sendo corajosa, não? Idiota, claro, mas talvez sua vontade seja superar, vencer, entortar a lógica para seu desígnio. O teorema de Thomas (em inglês) pode explicar porque esse tipo de fé pode triunfar.
A minha opinião sobre a última frase deste último parágrafo, é bom ressaltar, é a de que a fé pode triunfar e inverter situações conceituais, abstratas, mas não materiais. Falo isso antes que alguém venha dizer que a fé move montanhas, no sentido literal.
É, amigo, o universo é caótico demais… Pense bem antes de aceitar o convite da fé – essa fé do dia-a-dia, nos amigos, nas situações, nas possibilidades… “Confie em mim”, ela diz. Saiba que não há razão pra fazer isso. A escolha é sua.
Tags: caos, esperança, fé, mundo, realidade



Humpf! Eu acredito que seres humanos possam melhorar, seria isso um tipo de fé? Sempre questiono isso quando leio algo relacionado a fé. Talvez essa fé que você se refira seja mais um tipo de entrega ao outro, confiança meio que cega, eu sempre confio nas pessoas até tomar um tombo, já tomei muitos! Mas me diz, se eu desconfiar de todos como vou passar toda essa minha vida? Amargurado, desconfiado e cheio de medo, prefiro tomar meus tombos

E eles nem doem tanto assim já que sempre fico preparado e ciente de que podem acontecer… (perdoe sempre mas nunca se esqueça do nome do sujeito hahahaha)
Tem um provérbio que acho que é chinês ou indiano, sei lá, que diz que não adianta se preocupar com o que tem solução e nem com o que não tem, porque o que tem solução tem, o que não tem não tem hehehehe.
Isso não significa ser um cordeirinho da vida e dos outros, é só uma forma de racionalizar (ou tentar) o “o universo [que] é caótico demais…”
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Rev. Peterson Cekemp respondeu:
Sim sim, acho (<- não li de novo, faz tempo que escrevi já =P) que foi dessa fé que eu falei. Afinal, a fé tem que ter uma utilidade. O universo é caótico e muita coisa pode acontecer, muita coisa pode vir a ser além do que aquilo que já é, e se for pra melhorar, é bom acreditar nisso. Eu também gosto de acreditar no lado positivo das pessoas, eu concordo totalmente com você. O que eu quis foi mostrar que a fé é meio que necessária no nosso dia-a-dia, porque usar só a razão nos deixa, como vc mesmo disse, amargurado, desconfiado, etc =D Mas, ao mesmo tempo, é bom lembrar que justamente pela falta de razão é bom ter cautela porque há fés e fés…
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Evandro Cesar respondeu:
Sim sim! Há fés e fés… bem colocado