O Orkutcismo é um fenômeno muito interessante e, de certa maneira, muito curioso que acontece na internet recentemente. Pode-se destacar também o Chatcismo. São fenômenos interessantes que tomaram lugar na “second life” cotidiana. É como se fosse uma obrigação, pelo menos no Brasil, ter acesso a esses dois tipos de serviços quando o internauta acessa a internet.
É muito comum um usuário colocar na sua página inicial o Orkut. Além disso, deixar em automático a inicialização do serviço de Chat mais conhecido do mundo quando o computador se inicia.
O usuário fica curioso, deseja saber quem foi a última pessoa que enviou um scrap para ela. E esse scrap, foi bem intencionado ou não? Foi de quem será? Será que foi daquela menina? E se o sujeito está namorando? Caberá a ele decisões drásticas, ao mesmo tempo evolutivas intelectualmente, como o orkutcídio? Ou não tem problema, a sua namorada não é ciumenta e suas amiguinhas ficantes podem scrapar com ele à vontade? Quem sabe vale a pena continuar do mesmo jeito não é? Um dia pode terminar com a namorada dele, e essas amiguinhas estarão lá garantidas na secção friends.
Existem usuários do “second life” que combinam com seus amigos para ir a balada através do Orkut. É mais uma opção deste fenômeno da internet. O Messenger também. Como é comum, hoje em dia, as pessoas conversarem com os amigos através dessa rota chatiana. Como é bom chatear! Se a menina desejar visitar sua amiga, o telefone estará ocupado, o celular também, mas e o Messenger? Ôpa, ela estará lá online. Com toda certeza. A menina irá avisar a ela que está indo visitá-la. Isso é Chatcismo. Caso não esteja no Messenger, recorrerá ao Orkutcismo.
E é bom demais ficar neste mundo virtual. O internauta geralmente perde a vergonha, escreve com mais intensidade, melhor dizendo, scrapa algumas coisas que ao vivo e a cores não teria coragem de falar. O rapaz manda uma mensagem mais eufórica para a menina. Combinam de sair. Moram na mesma cidade. Nunca se viram. Adrenalina. Várias e várias conversas virtuais. Emoções a flor da pele. Os dois se encontram, pois tinham combinado que iriam usar, ambos, uma blusa da cor vermelha listrada. Para melhorar o ambiente festivo, consumista e eletrizante, se encontram em um Mall.
Como aconteceu isso? A menina tem o Orkut como página inicial no seu navegador. Ela colocou a opção de não saber quem a visitou e invade o perfil de vários usuários. Teve um menino que ela se encantou. Mandou um scrap para ele dizendo que o menino era muito bonito e que seus gostos eram muito interessantes. Seus gostos? Sim. Ela entrou nas comunidades dele e se encantou. Ele gostava disso e daquilo. A mocinha pediu para adicioná-lo, ele aceitou. Afinal, o rapaz se sentiu orgulhoso com o scrap da menina, dormiu bem naquele dia e contou para os seus amigos mais íntimos, através do Messenger, o acontecido. Posteriormente, o rapaz adicionou ela pela técnica do Chatcismo. Este fica o dia todo na frente do computador. Aliás, a primeira coisa que ele faz é entrar no computador. Já matou aulas na escola por causa disso, perde o sono e fica até de madrugada orkutando e chatiando. E finalmente, no chat, os dois descobrem que moram na mesma cidade. Depois de muitas digitações calientes e picantes, decidem se encontrar. O rapaz sempre “tremia e se arrepiava” quando a menina aparecia com o seu Nickname em Rosa, Times New Roman, Itálico e Negrito. E é claro, a foto dela com a barriga de fora, de longe e pequena. Eles se encontram, e cabe à sua imaginação internética definir o final da estorinha.
Dessa maneira, essa respiração baseada no Orkutcismo se torna indispensável para este tipo de usuário. O Orkutcismo e o Chatcismo naturalmente se tornam atividades de altíssima dependência, tudo pelo prazer de saber qual é o próximo scrap e quem estará online. Essa cultura interessante de ler fotos e comentários pequenos, ao invés de livros introspectivos e de altíssimo nível intelectual, é mais fácil de ser assimilada. Menos estressante, quem sabe? Afinal, como é bom passar o resto da noite lendo fotos e escrevendo, sem aquela vergonha, caso fosse uma situação real, mensagens provocantes para a atual namorada virtual e a futura e incerta namorada real? Ler livros, ou outros tipos de leituras? Só se for scrap, ou a mensagem do amiguinho nos chats.
Grande abraço a todos.
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É, de fato as emoções do tipo real estão sendo substituídas pelas emoções “virtuais”. A emoção do Times New Roman (gostei dessa parte, hehe).
Eu não defendo essa substituição primeiro porque internet é internet, vida real é vida real. Quem fica mais à vontade pra falar na internet, fica mais à vontade NA (e APENAS na) internet, não na vida real. A não ser que as pessoas já sejam mais extrovertidas fora dela e se conheçam pela internet; daí é um meio de se conhecer melhor e perder um pouco a timidez inicial de um encontro real - a partir da troca de idéias.
Eu acho que a internet é como a bebida: não importa quão bom você seja com ela, é preciso ser bom sem ela, porque a vida não é feita de bebida - é claro que você pode estar bêbado o tempo todo, tanto quanto pode ficar o tempo inteiro na internet, mas aí é uma escolha, não? Você quer viver uma coisa ou outra? Eu prefiro a realidade, que é mais divertida do que esses simulacros.
De qualquer forma, ainda tem o modo como o orkut e o messenger roubam o tempo “livre” de uma pessoa, ocupando sua mente com futilidades e besteiras. Tem pessoas que defendem que esse tipo de rede social e séries de televisão do tipo friends ajudam a pessoa a ser mais socialmente inteligente. Mas, sinceramente, ainda que a pessoa ganhe:
- uma memória de elefante pra nomes e números de telefone
- uma boa capacidade de imaginar o que aconteceu em determinada situação (do tipo quem está mentindo nessa história ou coisa assim)
- e boa capacidade de conversar;
Sobre o que ela vai conversar? O único assunto vai ser as últimas da fulana com o fulano ou a novela das oito. Ah, tenha dó.
Prós e contras, prós e contras. Eu prefiro ter assunto a me lembrar do nome dela. Isso eu pergunto educadamente depois…