Voltando de viagem, vamos ver o que aconteceu e o que merece ser notificado:
- Eu vi o filme Número 23. Que viagem!! O filme é muito bom. Jim Carrey convenceu muito como ator de suspense; ele fez um ótimo papel. Sem dúvida, um filme muito foda. Pra mim foi chover no molhado; mas mesmo assim é muito bom.
- Chegou o livro TAZ: Zona Autônoma Temporária. Chegou na Época de Itajaí faz um tempo; a minha prima pegou pra mim e hoje eu peguei com ela. Estou louco pra ler amanhã! Será que eu uso partes da aula de Espanhol, ou de Gramática…?
Agora chega a parte de psicologia barata para o qual esse projeto se presta. Ver o que diabos se passou comigo quando algo interessante aconteceu.
Quando eu era menor, acho que tinha 11 ou 12 anos, sei lá, eu queria óculos escuros. Sabe, eu sempre gostei de óculos escuros. Eu acho muito style, muito massa. Adoro, mesmo.
Têm algumas vestimentas que realmente eu admiro, porém mais pelo seu valor conceitual. Que droga, descobri que sou meio platônico: pra cada ação, pra cada objeto, eu sempre vou mais fundo e investigo o conceito dele. Eu não como camarão porque é feio; porra, que droga, quando você come um bife, você só vê uma parte indistinguível do boi. Agora, quando você come o camarão, tá o bicho inteiro ali. Credo, isso é nojento, fala sério. Esse negócio de enchegar além do material e prestar atenção ao conceitual, é algo que é muito forte em mim.
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Now playing: Mamonas Assassinas - Chopis Centis
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Agora, eu me pergunto: será que isso é melhor? Bom, enchegar além do material é, segundo Schopenhauer, uma coisa que faz dos filósofos… Filósofos. E mais do que isso, é uma indução que se faz, muitas vezes, das intenções das pessoas, por exemplo… Acho que não é muito difícil tentar enchergar além dos simples atos de uma pessoa, não é mesmo? Muitas pessoas fazem isso no dia-a-dia, por exemplo, quando chegam à conclusões do tipo: “o que se pode esperar de uma pessoa que faz o que faz? É claro que ela não gosta de mim!”
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Now playing: Avril Lavigne - My Happy Ending
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Eu sou contra a moralidade, mas tenho que aprender a sê-lo direito. Afinal de contas, essa própria indução é algo extremamente falível; comigo isso já se mostrou muito errado, por três vezes memoráveis da minha vida, e muitas outras pequenas vezes. Eu preciso me lembrar mais da contribuição inestimável de Hume ao entendimento humano. E também, é claro, compreender melhor essa parte do pensamento Nietzscheano. Viver sem essas inferências significa viver sem o peso morto e preconceituoso da moralidade? É isso que o bigodudo alemão quis dizer? Humm… Descobertas, descobertas…!
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Now playing: Pitty - Guerreiros São Guerreiros
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De qualquer forma, durante a viagem que fiz percebi como isso é forte em mim. Por exemplo: continuando a história dos óculos… Eu queria óculos. Bom, eu era pequeno… Entretanto, eu me lembro claramente de uma conversa em que minha mãe perguntava-me: “você quer óculos de sol?”. Eu disse que sim. Agora, adivinha o que aconteceu?
Na época, meu irmão estava de mudança, ou sei lá que diabo que ele estava fazendo. Sei que ele não queria mais um determinado óculos dele… De sol… Adivinha o que aconteceu?
Há! Eu ganhei um óculos de sol usado e, ainda por cima, quebrado!!! Além do que, sendo do meu irmão, é óbvio que ficava ridículo em mim. Eu nem cheguei a usar aquele troço, acho.
Na época, eu não fiquei irritado. Não fiquei triste. Mas agora, olhando pra trás, dá uma raiva, sabe? Eu enchergo além do material: porque, se fosse pra considerar o material apenas, veremos a que conclusões nós podemos chegar:
- Eu era criança. O que eu queria com óculos de sol? Ora, meus pais não iam gastar tanto dinheiro assim pra comprar óculos pra mim, aiiinda mais naquela idade.
- Que mal há em usar o óculos do meu irmão?
- Lembro-me da minha mãe dizendo: “é só arrumar…”
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Now playing: Rage Against The Machine - Know Your Enemy
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Como assim, é só arrumar? Aaaah, se fudê… Indo além das aparências, o que você pode deduzir de alguém que lhe dá um óculos usado… E quebrado? Foda-se que é possível consertá-lo; o fato de que é um óculos quebrado simboliza o quanto o assunto é importante pra eles, entende? Simboliza o quaaaanto era importante pra eles… Isso me deixa triste.
Mas não se pode negar que eu era muuuuito jovem. Mas sabe qual é o problema: o problema é… Então por que falou que ia comprar? Havia tantas possibilidades de resposta. Desde a rude “NÃO” até a “Mas filho, você vai crescer ainda… Vai ser um desperdício muito grande de dinheiro, agora não é necessário. Você concorda?”. Mas não. Tiiiinha que dizer que ia comprar. Entende a sutil diferença? Foi uma promessa, porra. Promessas são promessas, cacete.
Sabe o que aconteceu nesse final de semana? Bom, eu contei pra mãe que ia ganhar um óculos de aniversário. Do João - isso porque eu aaaaaacho, me baseando no que ele disse aquele dia. Eu deduzi isso - só que aí ela perguntou se era de marca. Eu disse que não sabia; mas eu imagino que ele não vá gastar de 150 reais pra cima pra comprar um óculos pra mim. Sem querer usar palavras… err… feias, mas ninguém aqui tá cagando dinheiro.
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Now playing: Legiao Urbana - Quase Sem Querer
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Aí ela começou a dizer que óculos não podia não ser de marca, porque caso não fosse de marca, ele estragaria os olhos. Eu entendo essa parte… Mas mesmo assim, por um momento fiquei feliz com esse pequeno (mas nem tão barato, admito) sonho que seria realizado. A relidade bate à porta. Agora vou ter que dizer pro João pra não comprar os óculos; a minha mãe não quer. Pff… Eu me lembro dela tentando arranjar desculpas. É muito tentador arranjar desculpas; sem querer sem injusto mas às vezes tenho a impressão de que a minha mãe é terrivelmente arrastada por essa mania compulsiva. Desculpas, desculpas, desculpas… Tudo é válido para não estragar uma relação social!!! Que pensamento idiota. Ela já falava: “Ah, diz que um parente vai te dar de presente…”. Nossa, ela poderia ter arrumado uma desculpa melhor. Como se, caso eu falasse isso, ele não fosse querer ver o óculos depois… Eu falei então: “Não, Mãe, que coisa, pra que mentir? Eu vou dizer pra ele não dar mais isso de presente e pronto. Não precisa mentir.”. Daí, silêncio no carro…
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Now playing: Mika - Stuck In The Middle
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Enquanto tentava dormir (na sala do apartamento de Blumenau… Ah, como eu ODEIO dormir na sala), vi que não ia dar certo mesmo. Era aquela coceira infundada, talvez provocada pela psique alertada pelos pernilongos… O calor das cobertas, o frio sem as cobertas… Aquela porcaria toda. Me levantei, liguei a luz e tomei um copo de água. Acho que fiquei uns vinte minutos perambulando pela cozinha-sala (pseudoquarto temporário), pensando sobre tudo isso… Refletindo sobre o que eu sentia, sobre o que eu pensava. Foi bom, foi muito bom. Compreendi um pouco a natureza desgraçada que, dentre outras coisas, vai continuar me afastando dos bons shows de Rock (aahh… Como eu me sinto triste quando eu penso que não vou ver nem o The Killers nem o Arctic Monkeys!), compreendi talvez a natureza egoísta, e nem por isso errada, do meu suposto “pensamento conceitual” sobre os óculos…
Sinceramente, eu acho que nunca vou precisar de psicólogo. Eu sou o meu próprio psicólogo; e olha que eu funciono muito bem comigo mesmo. Sério mesmo, naquela “sessão noturna” eu me senti bem melhor.
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Now playing: U2 - Pride (In The Name Of Love)
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Acho que eu vou parando por aqui… Boa noite à todos. Já são dez e meia e vou arrumar minha mochila pra amanhã.
P.S.: Poxa, Kathy… Que pena que você não vai =/ Queria muito que a gente fizesse uma festa mais discordiana por lá. Mas tudo bem, ainda serão 3… Pelo menos espero que sejam…





