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Dos Trechos da Obra (2.6). Somente algumas passagens…

“As diversas concepções filosóficas não são nada de fortuito, nada de autônomo… Por mais independentes que se sintam uns dos outros, com a sua vontade crítica ou sistemática, há sempre neles alguma coisa que os leva, que os empurra uns atrás dos outros, numa ordem determinada, e isso é precisamente este sistematismo congênito e parentesco de conceitos.”

“Nossas intuições devem e hão de soar como loucuras, por vezes mesmo como crimes, quando ilicitamente chegam aos ouvidos daqueles para os quais não foram feitos nem predestinados.”

“Não se deve ir à igreja quando se pretende cheirar ar puro.”

“Por si só, a juventude é algo que engana e falseia.”

“Aquilo tudo que é profundo ama a máscara. As coisas mais profundas têm mesmo um ódio à imagem e ao símbolo. A antítese não será um disfarce adequado de que se serve o pudor dum deus?”

“E muito provavelmente um dia os conceitos mais solenes, aqueles que provocaram maiores lutas e maiores sofrimentos, os conceitos de “Deus” e de “pecado”, não signifiquem, para nós, mais do que um brinquedo e um esporte de criança significam para um velho”

“É óbvio que a vontade só pode atuar sobre a vontade - e não sobre a matéria: em suma, deve-se arriscar a hipótese de que, por toda a parte onde se reconhecem efeitos, uma vontade atua sobre outra vontade - de que todo processo mecânico, desde que nele atue uma força, é precisamente força de vontade, efeito de vontade… Supondo, finalmente, que se conseguisse explicar toda a nossa vida instintiva como a elaboração e ramificação de uma força básica da vontade - a vontade de poder -; supondo que se pudesse reconduzir todas as funções orgânicas a essa vontade de poder, e nela se encontrasse também a solução para o problema da geração e nutrição - é um só problema -, então se obteria o direito de definir toda força atuante, inequivocadamente, como vontade de poder.”

“Nossos novos filósofos dirão , apesar disso, os críticos são instrumentos do filósofo e, exatamente por isso, por serem instrumentos, estão longe de ser filósofos”

E finalmente,

“As gerações que lhes são contemporâneas não vivem esses acontecimentos. Apenas passam por eles. Aqui acontece algo de parecido ao que se observa no domínio dos astros. A luz das estrelas mais distantes chega mais tarde aos homens. Antes da sua chegada, os homens negam que ali existam estrelas. “Quantos séculos precisa um espírito para ser compreendido?”. Aí está também uma medida, um meio de criar uma hierarquia e uma etiqueta necessárias. Para o espírito e para a estrela.”

Dos Comentários Finais (2.7). É um livro altamente recomendado. Acho que toda a humanidade deveria ler, apesar de desacreditar que realmente isso possa, de fato, acontecer.

Interessante, demasiado interessante.

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