Daqui a alguns dias eu publicarei no blog Nada Pensitivo! um texto que explica minha posição anti-punição. Não que seja algo revolucionário ou novo, mas me diga: não parece contra a natureza humana algo assim?
Se eu digo pra alguém essa minha idéia, a pessoa pode me olhar com uma cara estranha e me chamar de maluco; “Você tá maluco? Como assim, acabar com a punição? Você não acha que aqueles assassinos filhos-da-puta que mataram o João Hélio não merecem morrer, aqueles desgraçados?”, é isso que qualquer um mais ou menos “normalzinho” diria. Por isso essa é uma posição difícil de defender e que precisa ser bem explicada.
De qualquer forma, isso tem muito a ver com a moralidade, pois mesmo que haja uma certa laicidade nos Estados contemporâneos a nós - não ser cristão não é crime, por exemplo - ainda assim a moralidade persiste sob formas diferentes e o mesmo esquema de punições funciona de maneira diferente. Por tanto, para complementar o futuro post, coloco aqui uma pequena história para reflexão.
Meu irmão faz (fez, não sei quando vou postar isso) aniversário dia 10 de fevereiro, num domingo. Minha cunhada quer fazer uma festa surpresa pra ele, mas o salão de festas do prédio deles é muito pequeno, então ela pediu emprestado o salão de festas do Josué, o melhor amigo dele, pra que a festa seja feita. Entretanto, Josué recusou o pedido alegando que “ia dar muita sujeira, e eles iam ter que limpar depois”.
Meus pais provavelmente ficaram mais putos da vida irritados com a história do que a minha cunhada. Meu pai: “Ah, vá se fuder, fazer uma coisa dessa, isso não é amizade…”. Minha mãe: “Isso que ainda são tudo jovens, eu que sempre limpo tudo, fica tudo pra mim limpar, ainda faço sem reclamar! E ai de mim se eu reclamar, ainda vem a boca grande pra cima de mim! Ora, vê se tem cabimento uma coisa dessa…”. Meu pai: “Acho que depois dessa a amizade deles vai dar uma balançada…” - e eu repliquei: “Ah, meeeeu Deus, ele matou a mulher dele, estuprou os filhos dele e botou fogo na casa agora quem sabe. Que exagero, pai!”.
Isso, como sempre, me fez pensar muito, principalmente em relação à questão da punição. Ora, a moralidade moderna tem dessas coisas: veja como a pessoa é repudiada por não fazer uma gentileza - ou melhor, por não se sacrificar pelo amigo, de certa forma.
Em primeiro lugar, de onde surgiu essa moralidade que torna a gentileza uma obrigação? Bom, talvez ela surgiu porque vivemos num mundo mais perigoso, e a necessidade de amigos confiáveis nos tornou mais exigentes quantos aos amigos - exigimos deles sacrifícios e gentilezas, pra nos certificar e nos proteger contra os perigos das amizades interesseiras.
Agora fica a questão da liberdade que permanece cerceada pela moralidade: se reprovarmos essa atitude dele da forma como eles a reprovaram - tão efusivamente e botando-o do lado do “mal” - criamos uma punição para uma atitude (classificar como mau), em vista de inibir tal ação: isso é, compare você mesmo, uma chantagem. E chantagem, coerção, não é liberdade.
Então. Se você não veio de lá, agora leia.
Tags: Amizade, castigo, chantagem, crime, moralidade, punição





Hum, não posso mentir…acho que ficaria com o pé atrás com um amigo que fizesse isso.
Mas é verdade: porque seria ele obrigado a fazer uma coisa que o prejudicaria?
Bom, numa escala beeem diferente, se alguém que você ama fosse ameaçado de morte e você pudesse dar sua vida em troca, qual seria sua atitude?
Não cometeria o sacrifício “supremo”?
Ah, nesse caso sim[eu cometeria]…mas isso é uma ação lógica? Não vejo razão alguma em fazer isso…até me inclino a dizer que você pode virar “nada”, e que depois disso nada mais faz diferença![claro que esse argumento não serve pra quem acredita em vida após a morte…eu mesmo não sei em que acreditar]
Se você morresse, não haveria recompensa. Se você deixasse o outro morrer[por omissão], poucas pessoas te culpariam.[acho que levaria menor culpa que o Josué, ninguém quer discutir a morte e acha que escapar dela é justificado em quase todas as circunstâncias]
Eu me sentiria mal se um amigo recusasse um salão de festas, mas não tenho como justificar isso. Revisarei meus conceitos, isso não está certo…
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