Índice (eu tentei começar como resumo do que escrevi por mais extenso ali embaixo, mas acabei inconsciente escrevendo como se fossem capítulos de livro. Perceba.)
1 – Eu tenho afinidade com o modo abstrato de pensar.
2 – Isso é bom e isso é ruim, porque posso tirar conclusões precipitadas. Mas, afinal, uma conclusão é só onde você parou de pensar.
3 – Será que todos, sem saber, funcionam sob a influência de significados
4 – A atitude de “abandonar o materialismo” é muito mais do que abandonar o material?
5 – Questionamentos
6 – Roupas, crenças e objetos.
7 – Entender e compreender
1 - Esses dias, comentei aqui no blog que funciono muito no pensamento abstrato. No que se passa por detrás das aparências materiais, ou mesmo numa interpretação maior e mais conjunta de fatos que podem parecer isolados.
2 - Ao mesmo tempo em que isso indica senso crítico e uma percepção maior de um assunto, tenho consciência de que o humano é um ser terrivelmente falível em adquirir conhecimento. A ciência é o maior empreendimento humano nesse sentido, de forma que ela já adquiriu tanto conhecimento que aquela frase ali parece um pouco ingênua e não-realista. Entretanto, sabemos que a ciência se ergue hoje com sucesso graças aos tropeços. Alguns conhecimentos que antigamente ela considerava como certos hoje estão errados – e como saber em que fase do nosso próprio julgamento de conhecimento estamos? Bom, há a máxima de que a coisa mais importante é jamais parar o questionamento – mas quantos de nós fazem isso a toda hora, com todas as coisas da nossa vida?
Por exemplo: muitas vezes nós vemos as pessoas fazendo coisas, falando coisas, tomando decisões… E logo concluímos por que tal pessoa fez isso. Mas como podemos concluir isso? Como sabemos que há uma relação de causalidade entre certas coisas? Podemos ter mais e mais evidências a cada dia, mas ainda assim resta uma dúvida: afinal, sempre existe uma pequena chance de que algo seja falso, e sempre existe uma pequena chance de que algo seja verdadeiro.
3 - Como disse Carl Sagan, “somos viciados em significados”. Mas a pergunta que me assalta nos últimos tempos, e que eu não sabia resumir, é: funcionamos mesmo à base de significados ou não? Quando é que funcionamos à base de significados e quando não o fazemos?
Será que quando eu quero realmente alguma coisa, eu estou apenas preocupado com o significado de tal coisa, ainda que esconda isso sob a égide de tal bem material? Por exemplo, se eu quero um carro, eu quero porque eu vou me sentir mais “poderoso” no carro (que virou, até certo ponto, um símbolo para o poder), ou por que quero a coisa carro?
4 - Por isso eu creio que abandonar os bens materiais, no sentido “zen” de ser, não indica deixar os “bens”, e sim deixar muitas outras coisas. Significa tomar uma atitude muito mais importante do que simplesmente abandonar o material – significa mudar a maneira como se deve relacionar com o material. Mesmo porque, o material, e as relações que mantemos com ele na nossa sociedade atual (e de uma maneira natural e universal), ele acaba, vai embora, se perde, etc. Se transferimos tanto dos nossos sentimentos para um símbolo material, não estamos fazendo algo legal. Estamos arranjando desculpas para cumprirmos nossas vontades, nossos impulsos abstratos que vão além da vontade de ter algum bem, de forma psicologicamente protecionista (proteger a gente da gente mesmo), mas ao mesmo tempo aprisionando nossas forças, nossos sonhos, esperanças, sentimentos, tudo, numa coisa, num símbolo.
5 - O que muda quando você consegue enxergar isso? Como eu disse, será que conseguimos enxergar direito, seja lá o que for que enxerguemos? Será que podemos interpretar o ato de alguém como se ele fosse relacionado a outra coisa, quando é só um ato despretensioso? Será que existem atos despretensiosos? Será que a outra pessoa, quando afirma que não tem nada a ver com o que a gente pensava que fosse, está falando a verdade? Será que ela mesma sabe se é a verdade?
6 - Veja bem, diz o Vórtice Nox que crenças são apenas meios pra se alcançar um objetivo. Como roupas, que você veste quando necessário, depois as tira pra colocar outras. Mas e se os bens materiais forem só isso?
7 - Sabe, eu começo a entender ainda mais meus próprios pensamentos especulativos. Eu tenho uma teoria de que as pessoas podem entender algo, mas apenas compreendem mesmo, quando vivenciam algo que as prova efetivamente isso. Por exemplo, alguém pode entender o discordianismo; mas pode não compreender e não ser capaz de colocar em prática, a não ser que viva uma situação que prove a validade do discordianismo a ela. Por exemplo, eu não precisei dela e hit the discordianism off logo de cara.
Isso porque eu já fui cristão e hoje sou agnóstico. Logo, eu vivi uma mudança de, digamos, paradigma. Eu já vi que o que considerei verdade um dia, não é mais verdade. E por tanto, se aconteceu com isso e com muitas outras coisas, por que não pode acontecer de novo? Eu vivenciei isso e abracei o discordianismo porque compreendi isso, não porque entendi. Quando eu falo da efemeridade com a qual a vida pode (pra ser melhor) ser tratada (não digo deve, não gosto dessa palavra), eu talvez não tenha aprendido a colocá-la em prática.
As observações (vividas, dessa vez) a que chego:
1 – Materiais são símbolos para vontades.
2 – Por ignorância, ganância, ânsia por dominação, etc, estamos destruindo o mundo com o consumismo desenfreado.
3 – A “edificação” humana está construída sobre nada.
4 – A edificação demora pra ser construída e custa pra ser mantida, porém é facilmente destruída, sem que pra isso seja necessário perder a razão.
5 – Justamente por isso e por fechar a mente para outras realidades, é quase inútil.
6 – A não ser simplesmente pela vontade de ter uma, ou de construir uma pela simples diversão de destruí-la depois.
7 – As coisas prontas são agonizantes, pois o prazer da construção, dos planos, dos sonhos, está em sonhá-los e não em torná-los realidade.
8 – Compreender (não entender, naquele sentido especial que eu tenho pra mim) isso, é compreender que várias coisas reais poderiam ter sido feitas, uma emoção mais verdadeira do que a de um sonho.
9 - Ama-se mais o desejo do que o desejado.
10 - Isso é científico, by the way
Tiro a conclusão:
C – A efemeridade, a ação constante, a brincadeira existencial, são mais que pragmatismos. São coisas que cada vez mais compreendo. Não é uma necessidade intelectual; torna-se cada vez mais uma necessidade física, uma necessidade, digamos assim, visceral.
Obs.: tentei resumir, mas no fim, acabou a mesma coisa. 3 páginas do word.
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