Ibrahim escreveu um post interessante sobre “ser diferente”: pegando outro ponto da questão, existem duas maneiras de ser diferente. A maneira “grande”, escandalosamente óbvia, é simplesmente uma réplica de uma personalidade estereotipada – mais ou menos como ser emo. A maneira pequena quase todos têm; às vezes isso é mais incentivado ou não pelo meio em que a pessoa vive, mas essas pequenas alternatividades ocorrem de uma maneira bem caótica, pois uma pessoa pode ter vários, contraditórios, alguns perceptíveis e outros não.

Essas pequenas alternatividades são mais ou menos assim: antigamente eu lia um blog chamado Semiótica (que agora se mudou para o Setentia, um dos blogs do Breviário). Era, e acredito que ainda é (intuição), muito bom. Em um post o autor disse mais ou menos o seguinte: “não entendo as pessoas que classificam dias chuvosos como tristes e ensolarados como felizes. Eu gosto de dias chuvosos”. Por um momento me senti tentado a compartilhar da opinião. E vejam que foi algo bem automático; essas pequenas alternatividades são abraçadas porque ser diferente de um jeito óbvio já é tão comum que não dá mais “o mesmo barato” (linguagem de uso de drogas, que bizarro). Mas aí dias depois percebi que não, aquilo não era meu. Um dia, quem sabe, eu possa vir a ter essa opinião, mas tem que ser algo meu. Eu não gosto de dias chuvosos, mas, por outro lado, eu não gosta das conseqüências dos dias chuvosos – preso em casa, sem muito o que fazer, televisão nunca passando coisa boa – enfim. Mas a chuva em-si não me deixa triste. Eu já compartilhei bons momentos com ela. Só ainda não estou pronto pra colocar essa frase em mim como sendo algo original; não seria sincero para comigo mesmo.

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